quarta-feira, 30 de setembro de 2026

A Engenharia Política da Habitação: Responsabilidades e Ações no Eixo Catarinense


A Engenharia Política da Habitação: Responsabilidades e Ações no Eixo Catarinense

O sucesso econômico de Santa Catarina, personificado pela pujança de Balneário Camboriú e Itajaí, criou um desafio complexo: o "apartheid imobiliário" por custo de vida. Para reverter esse cenário, não basta a vontade política; é necessária uma coordenação técnica e jurídica entre os entes federativos. Cada esfera possui uma "ferramenta" única para destravar o acesso à moradia.

1. Esfera Municipal: O Chão da Cidade

A Prefeitura e a Câmara de Vereadores são os gestores diretos do território. Eles definem onde se pode construir e quanto custa legalizar essa construção.

Ações Necessárias:

  • Revisão Seletiva do Plano Diretor (Câmara): A criação de zonas de adensamento para habitação de interesse social e de mercado (faixa média). Isso permite que prédios em bairros periféricos ao centro luxuoso tenham maior potencial construtivo, barateando o custo por unidade.
  • Isenção de ITBI (Câmara/Prefeitura): O Imposto de Transmissão de Bens Imóveis é uma barreira de liquidez. Para um jovem, pagar 2% ou 3% do valor do imóvel à vista no ato da compra é muitas vezes o que inviabiliza o negócio. A isenção para o primeiro imóvel é a medida mais urgente.
  • Agilidade e Desoneração (Prefeitura): A implementação de alvarás de aprovação imediata para projetos que atendam a critérios de "moradia jovem" reduz o custo indireto (juros de obra e tempo de capital parado) para a construtora, refletindo no preço final.

2. Esfera Estadual: O Motor do Crédito

Enquanto o município cuida da "pedra e cal", a Assembleia Legislativa (ALESC) e o Governo do Estado cuidam do fluxo de capital. O papel do estado é garantir que o dinheiro chegue ao cidadão de forma acessível.

Ações Necessárias:

  • Criação do Fundo Garantidor (ALESC/Governo): Esta é a medida de maior relevância. Através do Badesc ou BRDE, o estado pode criar um fundo que sirva de aval para o jovem. Isso permite que bancos e cooperativas (Sicredi/Sicoob) financiem imóveis com entradas simbólicas (5%), pois o risco da inadimplência inicial é coberto pelo estado.
  • Incentivos Fiscais de ICMS (ALESC): Reduzir a alíquota de ICMS sobre materiais de construção para empreendimentos certificados que atendam à faixa de renda jovem. Isso ataca o custo de produção diretamente.
  • Integração Regional (Governo): O estado deve liderar a mobilidade urbana intermunicipal. Se o transporte entre Camboriú, Itajaí e Balneário for eficiente (BRT ou VLT), a pressão sobre o metro quadrado da orla diminui, tornando bairros mais distantes viáveis para moradia.

Tabela de Necessidades Institucionais

InstituiçãoFerramentaNecessidade Atendida
Câmara de VereadoresLegislação de ZoneamentoCriar oferta de unidades compactas e acessíveis.
Prefeitura MunicipalGestão de Impostos (ITBI)Reduzir o custo de fechamento da compra.
Assembleia (ALESC)Fundo de Aval e CréditoEliminar a barreira da "entrada" de 20%.
Governo do EstadoInfraestrutura e ICMSReduzir o custo de construção e transporte.

Conclusão: Por que a coordenação é vital?

Não adianta a Prefeitura isentar o ITBI se o jovem não consegue o financiamento no banco por falta de entrada. Da mesma forma, não adianta o Estado garantir o crédito se o Plano Diretor do município só permite a construção de apartamentos de alto luxo.

A necessidade de cada esfera reside na complementaridade. Em Santa Catarina, a união entre a força das cooperativas de crédito, a eficiência administrativa municipal e a capacidade de fomento estadual é o único caminho para garantir que o jovem catarinense não seja apenas um espectador da riqueza do seu estado, mas um proprietário e protagonista dela.

 Dados imobiliários e indicadores geográficos regionais (Abril/2026).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.