A Engenharia Política da Habitação: Responsabilidades e Ações no Eixo Catarinense
O sucesso econômico de Santa Catarina, personificado pela pujança de Balneário Camboriú e Itajaí, criou um desafio complexo: o "apartheid imobiliário" por custo de vida. Para reverter esse cenário, não basta a vontade política; é necessária uma coordenação técnica e jurídica entre os entes federativos. Cada esfera possui uma "ferramenta" única para destravar o acesso à moradia.
1. Esfera Municipal: O Chão da Cidade
A Prefeitura e a Câmara de Vereadores são os gestores diretos do território. Eles definem onde se pode construir e quanto custa legalizar essa construção.
Ações Necessárias:
- Revisão Seletiva do Plano Diretor (Câmara): A criação de zonas de adensamento para habitação de interesse social e de mercado (faixa média). Isso permite que prédios em bairros periféricos ao centro luxuoso tenham maior potencial construtivo, barateando o custo por unidade.
- Isenção de ITBI (Câmara/Prefeitura): O Imposto de Transmissão de Bens Imóveis é uma barreira de liquidez. Para um jovem, pagar 2% ou 3% do valor do imóvel à vista no ato da compra é muitas vezes o que inviabiliza o negócio. A isenção para o primeiro imóvel é a medida mais urgente.
- Agilidade e Desoneração (Prefeitura): A implementação de alvarás de aprovação imediata para projetos que atendam a critérios de "moradia jovem" reduz o custo indireto (juros de obra e tempo de capital parado) para a construtora, refletindo no preço final.
2. Esfera Estadual: O Motor do Crédito
Enquanto o município cuida da "pedra e cal", a Assembleia Legislativa (ALESC) e o Governo do Estado cuidam do fluxo de capital. O papel do estado é garantir que o dinheiro chegue ao cidadão de forma acessível.
Ações Necessárias:
- Criação do Fundo Garantidor (ALESC/Governo): Esta é a medida de maior relevância. Através do Badesc ou BRDE, o estado pode criar um fundo que sirva de aval para o jovem. Isso permite que bancos e cooperativas (Sicredi/Sicoob) financiem imóveis com entradas simbólicas (5%), pois o risco da inadimplência inicial é coberto pelo estado.
- Incentivos Fiscais de ICMS (ALESC): Reduzir a alíquota de ICMS sobre materiais de construção para empreendimentos certificados que atendam à faixa de renda jovem. Isso ataca o custo de produção diretamente.
- Integração Regional (Governo): O estado deve liderar a mobilidade urbana intermunicipal. Se o transporte entre Camboriú, Itajaí e Balneário for eficiente (BRT ou VLT), a pressão sobre o metro quadrado da orla diminui, tornando bairros mais distantes viáveis para moradia.
Tabela de Necessidades Institucionais
| Instituição | Ferramenta | Necessidade Atendida |
|---|---|---|
| Câmara de Vereadores | Legislação de Zoneamento | Criar oferta de unidades compactas e acessíveis. |
| Prefeitura Municipal | Gestão de Impostos (ITBI) | Reduzir o custo de fechamento da compra. |
| Assembleia (ALESC) | Fundo de Aval e Crédito | Eliminar a barreira da "entrada" de 20%. |
| Governo do Estado | Infraestrutura e ICMS | Reduzir o custo de construção e transporte. |
Conclusão: Por que a coordenação é vital?
Não adianta a Prefeitura isentar o ITBI se o jovem não consegue o financiamento no banco por falta de entrada. Da mesma forma, não adianta o Estado garantir o crédito se o Plano Diretor do município só permite a construção de apartamentos de alto luxo.
A necessidade de cada esfera reside na complementaridade. Em Santa Catarina, a união entre a força das cooperativas de crédito, a eficiência administrativa municipal e a capacidade de fomento estadual é o único caminho para garantir que o jovem catarinense não seja apenas um espectador da riqueza do seu estado, mas um proprietário e protagonista dela.
Dados imobiliários e indicadores geográficos regionais (Abril/2026).
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