LÍBANO REAFIRMA NOVO CICLO DE SOBERANIA E PACIFICAÇÃO EM DISCURSO NA ONU
Em pronunciamento na Assembleia Geral, o primeiro-ministro Nawaf Salam defendeu a unificação do controle militar no país, o encerramento do uso do território como arena de disputas estrangeiras e convocou a diáspora para a reconstrução nacional.
Em um discurso histórico proferido durante os debates de alto nível da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, apresentou as diretrizes para uma nova era de soberania, estabilidade institucional e reconstrução no país.
Diante dos líderes mundiais, o chefe de governo reforçou o compromisso firme do Estado libanês em assumir o controle total de seu território e de suas decisões estratégicas, rechaçando a interferência de atores externos na política de defesa nacional.
"Não pode haver um Estado com dois exércitos, nem um Estado com duas decisões [sobre guerra e paz]", declarou o primeiro-ministro. "Quanto às armas, tomamos decisões importantes e decisivas e continuamos a implementá-las, independentemente das dificuldades."
Soberania territorial e presença internacional
O premiê frisou que o Líbano não aceitará mais atuar como palco para conflitos alheios e exigiu a retirada integral das tropas israelenses das zonas ainda ocupadas no sul do país.
Como parte da estratégia para consolidar a estabilidade na fronteira e garantir o retorno seguro dos cidadãos deslocados pelas recentes hostilidades, Salam defendeu a continuidade do suporte das Nações Unidas na região:
"[Reiteramos] a importância de manter uma presença internacional sob o guarda-chuva das Nações Unidas no sul do país, de forma a garantir a continuidade das funções de monitoramento, reporte e ligação, contribuindo para preservar a estabilidade e apoiar o processo de extensão da autoridade do Estado libanês sobre todo o seu território."
Reconstrução e apelo à cooperação internacional
Além das prioridades de segurança, o governo libanês colocou a recuperação socioeconômica no centro de sua agenda diplomática. Salam reconheceu a necessidade de reformas internas para atrair investimentos e fez um apelo direto à expressiva diáspora libanesa espalhada pelo mundo.
"Sei que não podemos pedir que invistam em um país onde o Estado não cumpre com os seus deveres", pontuou. "Faço um apelo aos libaneses em Nova York, Washington, Paris, Londres ou nos países do Golfo para que se tornem parceiros em um novo projeto econômico."
O plano de ação apresentado ao órgão multilateral prevê três pilares imediatos: o fortalecimento das Forças Armadas oficiais do Líbano, a garantia do regresso digno das famílias deslocadas às suas localidades de origem e a mobilização de assistência internacional para a infraestrutura devastada.
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