Plenário e palanque: a urgência de votar a PEC da 6x1 sem rodeios políticos
A tramitação da proposta pelo fim da escala 6x1 no Senado escancara uma contradição frequente na política brasileira: a distância entre o microfone dos gabinetes e a realidade das ruas. Se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou qualquer outro parlamentar prefere utilizar o tempo regimental em Plenário para discursar contra a medida ou articular posições contrárias em plena semana de esforço concentrado, que o faça no exercício de seu mandato nesta semana. No entanto, transformar um tema social dessa magnitude em combustível meramente eleitoral expõe uma leitura equivocada dos anseios do país.
O debate sobre a jornada de trabalho não deve servir de vitrine ideológica. A sociedade civil, trabalhadores e o próprio setor produtivo demandam previsibilidade, e não discursos performáticos que tentam ignorar transformações irreversíveis nas relações de trabalho. Opor-se a uma pauta de forte apelo popular em nome de picuinhas partidárias revela um descompasso evidente com a população, que cobra maturidade e posições claras — seja a favor ou contra — por meio do voto, e não de manobras de plenário.
Pedir que as lideranças políticas se atualizem com o Brasil atual é cobrar o mínimo de responsabilidade de quem ocupa o Parlamento. A Casa Alta tem o dever com a sociedade de pautar o texto, encerrar o debate e liquidar a fatura. Se a oposição deseja registrar seu voto contrário, que assuma o ônus político dessa escolha diante do eleitorado, em vez de arrastar o processo em discursos vazios. O país precisa de definições concretas, e o Plenário deve cumprir seu papel constitucional.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.