sexta-feira, 3 de julho de 2026

Reportagem do The New York Times revela planos de Israel para assassinar negociadores iranianos

A reportagem publicada pelo The New York Times (e posteriormente complementada por detalhes do The Washington Post) revelou bastidores de uma profunda crise de desconfiança e divergência de objetivos entre os governos dos Estados Unidos e de Israel no comando da guerra contra o Irã.
Os principais pontos revelados pela investigação detalham como a inteligência americana agiu ativamente para conter os planos israelenses:

1. Os Alvos Atuais: Araghchi e Ghalibaf

A CIA e funcionários do governo americano detectaram que a inteligência de Israel mantinha planos detalhados para assassinar os dois principais negociadores de Teerã nas conversações de paz: o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

O Alerta dos EUA: O temor de Washington era de que a morte desses dois homens implodisse de forma definitiva a frágil trégua iniciada em abril e arrastasse a região de volta a um conflito aberto de proporções catastróficas.
 
Ação Extraordinária: A gravidade do risco fez com que o governo dos EUA adotasse a medida incomum de acionar intermediários regionais (como o Paquistão e o Catar) para avisar diretamente o governo do Irã de que seus diplomatas corriam risco de vida por parte de Israel.

2. O Ponto de Inflexão: O Assassinato de Ali Larijani

Segundo fontes diplomáticas ocidentais, o grande racha estratégico entre Washington e Tel Aviv não ocorreu com a morte do Líder Supremo Ali Khamenei no início da guerra (em 28 de fevereiro), mas sim em meados de março, quando Israel assassinou o chefe de segurança nacional iraniano, Ali Larijani, e o ex-chanceler Kamal Kharazi em ataques aéreos.

Ambos eram vistos pela Casa Branca como figuras pragmáticas e moderadas com as quais os EUA já estavam estabelecendo canais de diálogo.
 
Conforme relatou um oficial ocidental ao The Washington Post: "Os EUA estavam procurando um oficial iraniano com quem pudessem negociar e, de repente, ele sumiu".

3. Pânico no Ar e Escolta de Caças

A reportagem trouxe à tona um episódio tenso ocorrido em 12 de abril, logo após as primeiras rodadas de aproximação. O avião que transportava a comitiva de Ghalibaf de volta de uma reunião com autoridades americanas em Islamabad foi alertado de que caças israelenses teriam violado o espaço aéreo próximo à fronteira com o Iraque para interceptar a aeronave.

O avião iraniano precisou de escolta de jatos de combate paquistaneses e realizou um pouso de emergência em Mashhad, no nordeste do Irã, forçando o diplomata a terminar o trajeto até Teerã por terra.

4. A Divergência Estratégica (EUA vs. Israel)

A exposição do caso joga luz sobre os objetivos conflitantes dos dois aliados:

Os EUA revisaram suas expectativas após o início das hostilidades; percebendo que o regime clerical não entraria em colapso imediato, focaram em garantir um acordo diplomático estável para reabrir rotas comerciais como o Estreito de Ormuz.
 
O Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, continua defendendo uma linha dura focada na desestruturação total do comando de Teerã e vê o cessar-fogo como uma brecha perigosa que permitirá ao Irã recuperar sua economia e avançar em ambições nucleares sem restrições reais.

Analistas americanos citados indicam que o episódio ilustra o limite da influência de Washington sobre o gabinete de guerra israelense e o esforço de Tel Aviv em "torpedejar" as pontes diplomáticas costuradas pelos negociadores ocidentais.

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