terça-feira, 22 de setembro de 2026

Rei Abdullah II da Jordânia alerta na 81ª Assembleia Geral da ONU contra a impunidade regional e cobra ação global firme

Rei Abdullah II da Jordânia alerta na 81ª Assembleia Geral da ONU contra a impunidade regional e cobra ação global firme

Em discurso contundente em Nova York, o monarca rejeitou a separação entre Gaza e a Cisjordânia, denunciou a erosão das leis internacionais e reafirmou que a segurança nacional da Jordânia é inegociável.

O Rei Abdullah II da Jordânia proferiu hoje um discurso de forte apelo político e humanitário na abertura do Debate Geral da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Diante de líderes mundiais, o monarca colocou o foco na deterioração drástica da segurança no Oriente Médio e alertou sobre os perigos da apatia internacional frente às violações sistemáticas de direitos e soberania na região.

Frentes integradas do conflito e rejeição a eufemismos
Em sua mensagem central, o rei rechaçou a narrativa de que os eventos em Gaza e na Cisjordânia constituem crises isoladas. Para Abdullah II, ambas representam "duas frentes da mesma estratégia", marcadas pela expansão de assentamentos ilegais, deslocamentos forçados de famílias e pela tentativa de apagar a vida e a resiliência palestina.

O monarca criticou severamente o uso de eufemismos diplomáticos que acabam por normalizar ações violentas no terreno:

"Quando a linguagem é higienizada, as ações se tornam normalizadas. Demolir lares para expandir assentamentos não é aplicação da lei; é transferência forçada," declarou.

Impunidade em níveis aterrorizantes

Alertando o plenário da ONU sobre o colapso gradual das normas multilaterais, o rei destacou que a ausência de consequências práticas para as ações governamentais israelenses gerou um cenário perigoso de total falta de restrições. Segundo ele, o senso de impunidade atingiu um patamar onde os responsáveis já não se preocupam com a repercussão de seus atos — um precedente que ameaça a estabilidade global para além do Oriente Médio.

Defesa intransigente da soberania jordaniana e da ajuda humanitária
Abordando as repercussões diretas para o seu país, o Rei Abdullah II foi taxativo quanto à proteção das fronteiras e dos recursos estratégicos da Jordânia:
 
Segurança e Água: Qualquer ameaça à segurança fronteiriça ou hídrica do reino será tratada como uma linha vermelha intransponível.
 
Ajuda aos Refugiados e UNRWA: O governo jordaniano reiterou seu compromisso irrevogável com o apoio à resiliência palestina, à manutenção das operações vitais da UNRWA e à preservação do status quo histórico e legal dos locais sagrados muçulmanos e cristãos em Jerusalém, sob a Custódia Hachemita.

Limites da diplomacia

Encerrando sua intervenção, o monarca enfatizou que a vocação histórica da Jordânia para o diálogo e a moderação não deve ser confundida com fraqueza ou passividade. Ao ponderar que a força militar é incapaz de construir uma paz duradoura ou solucionar crises humanitárias profundas, Abdullah II convocou a comunidade internacional a restaurar a legitimidade e a eficácia das instituições globais antes que o custo da inércia se torne irreversível.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.