Macron alerta contra o retorno da "lei da selva" global e defende o multilateralismo na 81ª Assembleia Geral da ONU
Líder francês destacou a urgência de reformas estruturais no Conselho de Segurança, criticou abusos de poder imperialistas e apelou por soberania tecnológica e proteção a civis em zonas de conflito.
Durante seu pronunciamento na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez um veemente apelo à comunidade internacional para que rejeite a conformação com a derrota e o imperialismo. Diante de líderes mundiais, Macron alertou sobre o risco iminente de a geopolítica global retroceder a um modelo baseado puramente nas relações de força.
"Devemos escolher entre retornar à lei da selva, que é o estado de natureza, ou viver em uma comunidade internacional civilizada", declarou o mandatário francês na tribuna da ONU, instando os países a manterem firmes os princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas.
Destaques do Discurso:
Reforma do Conselho de Segurança: Macron reiterou o apoio histórico de seu país à expansão do Conselho de Segurança da ONU, enfatizando a necessidade de maior representatividade — com foco especial na inclusão de assentos permanentes para o continente africano — e propôs a limitação do poder de veto em casos de crises humanitárias extremas e massacres em massa.
Crises Internacionais e Proteção de Civis: O presidente francês colocou a proteção da população civil no centro das discussões sobre os conflitos atuais, exigindo respeito rigoroso ao direito internacional humanitário na Ucrânia e no Oriente Médio.
Soberania Tecnológica e Inteligência Artificial: Em um dos momentos voltados aos desafios do futuro, Macron alertou contra a subordinação global a monopólios tecnológicos ou grandes potências. Ele defendeu a criação de uma rede colaborativa entre nações independentes para o desenvolvimento de modelos abertos (open-source) de inteligência artificial de ponta, além de salvaguardas internacionais para proteger as próximas gerações.
Ação Climática Existencial: Contextualizando os riscos ambientais, o líder francês pontuou que a crise climática não é uma ameaça distante, mas uma urgência palpável que afeta desde pequenas ilhas-estado até territórios ultramarinhos, exigindo cooperação em vez de caridade internacional.
O discurso de Macron ecoa como um dos chamados mais diretos da sessão de alto nível da ONU pela revitalização do sistema multilateral frente às crescentes polarizações geopolíticas globais.
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