O que Lula fez na gestão de preços O governo de Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma estratégia mista focada em:
- Estímulo à agricultura familiar: Reestruturação de programas de crédito como o Pronaf e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para tentar injetar recursos na produção interna de itens da cesta básica.
- Gestão de estoques e importação pontual: Uso de mecanismos de regulação de mercado e negociações de tarifas de importação para aliviar gargalos em momentos de alta pontualidade de grãos e carnes.
- Programas sociais de transferência de renda: Ampliação do Bolsa Família para mitigar o impacto da inflação sobre as famílias de menor renda, embora críticos apontem que a injeção de liquidez também pressione a demanda.
Diferenças entre os governos As gestões diferem tanto no cenário macroeconômico externo quanto na ênfase dada à intervenção estatal:
- Governo Bolsonaro: Caracterizou-se pela forte desvalorização cambial (dólar alto), que tornou a exportação extremamente lucrativa para os produtores, redirecionando parte da produção interna para o mercado externo, além de uma postura de menor intervenção direta nos estoques reguladores.
- Governo Lula: Operou em um ambiente com flutuações cambiais distintas e focou em políticas ativas de estímulo ao pequeno produtor e na recomposição de mecanismos de controle de oferta, embora também tenha enfrentado pressões inflacionárias globais e climáticas (como secas e enchentes). Em termos estatísticos, a inflação acumulada de alimentos nos primeiros anos da gestão Lula tem registrado patamares inferiores aos observados no mesmo recorte temporal sob Bolsonaro.
Erros e influências da gestão Bolsonaro A alta expressiva dos alimentos durante o governo de Jair Bolsonaro (quando a inflação do setor acumulou mais de 40% no total do mandato) sofreu forte influência de fatores globais, mas também de decisões econômicas internas:
- Fator internacional e pandemia: As rupturas nas cadeias globais de suprimentos, o encarecimento dos insumos agrícolas importados (como fertilizantes, fortemente afetados depois pela guerra na Ucrânia) e a alta histórica do petróleo elevaram os custos de produção e fretes.
- Desvalorização cambial: A política cambial permitiu um dólar persistentemente elevado, o que elevou a lucratividade das exportações de commodities (como soja, milho e carne). Como resultado, o preço interno precisou equiparar-se ao valor internacional, encarecendo a comida no mercado doméstico.
- Esvaziamento de estoques reguladores: A gestão reduziu estoques públicos estratégicos de produtos como arroz e milho, instrumentos que tradicionalmente amorteciam choques repentinos de oferta e preços no mercado interno.
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