sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Como blindar a mesa do brasileiro contra choques de preços

A inflação dos alimentos tornou-se um dos temas mais sensíveis da economia brasileira, ditando o poder de compra das famílias e o debate público. À medida que o cenário político se desenha para futuros pleitos, a discussão sobre como blindar a mesa do brasileiro contra choques de preços coloca em evidência modelos econômicos focados na responsabilidade fiscal, na redução de custos sistêmicos e no incentivo à produção. Para um eventual governo liderado por Flávio Bolsonaro, o desafio exigirá transitar entre a eficiência do agronegócio exportador e a garantia de estabilidade no mercado doméstico.

A primeira linha de ação apontada por especialistas reside na rigidez fiscal e monetária. O controle estrito das despesas públicas é visto como o alicerce indispensável para ancorar as expectativas inflacionárias, estabilizar a taxa de câmbio e permitir a redução estrutural da taxa básica de juros, a Selic. Para o setor produtivo, juros mais baixos significam barateamento direto no custeio agrícola, no financiamento de maquinário e na adoção de tecnologias de alta produtividade por hectare, reduzindo a pressão de custos desde a porteira da fazenda até a gôndola do supermercado.

A desoneração tributária surge como o segundo pilar estratégico. Aliviar a carga de impostos que incide sobre a cadeia produtiva — passando por fertilizantes, combustíveis, energia elétrica e pelos itens da cesta básica — funciona como um redutor imediato de preço para o consumidor final. Em um país onde tributos indiretos compõem uma fatia expressiva do valor pago no varejo, cortar a cumplicidade do Fisco com a carestia é um passo incontornável.

Contudo, a estabilidade de preços esbarra nos gargalos logísticos e de infraestrutura do país. Com o escoamento da produção concentrado em rodovias, o frete permanece excessivamente vulnerável às oscilações internacionais do petróleo. Qualquer plano de governo voltado à acessibilidade alimentar precisa priorizar investimentos em modais ferroviários e de cabotagem, além de incentivar a expansão de redes de armazenagem e silos. Silos e armazéns funcionam como amortecedores cruciais, permitindo guardar excedentes de safras e regular a oferta interna durante períodos de entressafra ou choques climáticos.

O grande teste estratégico para uma administração conservadora será harmonizar a força do agronegócio global com a proteção do mercado interno. A resposta para manter a comida acessível não reside em tabelamentos ou intervenções artificiais, mas na combinação de disciplina macroeconômica, segurança jurídica para o investimento privado, corte de custos logísticos e incentivo à competitividade sistêmica.

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