Presidente El-Sisi participa de cúpula com líderes do G7 e defende soluções sustentáveis para a estabilidade no Oriente Médio
O Presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, participou nesta terça-feira da sessão especial "Navegando em Crises e Sustentando a Estabilidade no Oriente Médio", um encontro estratégico que contou com a participação de líderes de estado dos países membros do G7.
Durante o painel, o mandatário egípcio apresentou a visão de Cairo sobre os desdobramentos geopolíticos recentes e defendeu que a paz global depende diretamente de um acordo abrangente para as crises que assolam a região, especialmente após o prolongado sofrimento humanitário decorrente de guerras e conflitos.
Solução de Dois Estados e o Plano de Paz para Gaza
O Presidente El-Sisi reiterou que não existe alternativa para uma estabilidade duradoura que não inclua a resolução justa da causa palestina. Ele defendeu a criação de um Estado palestino independente baseado nas fronteiras de 4 de junho de 1967, tendo Jerusalém Oriental como sua capital.
Além disso, o líder egípcio pediu a rápida implementação do plano de paz do presidente dos EUA, Donald Trump, para a Faixa de Gaza. El-Sisi expressou formalmente seu reconhecimento aos esforços de Trump, que culminaram no acordo para interromper a guerra em Gaza e, recentemente, no tratado de cessação de hostilidades com o Irã.
"O Egito está pronto para empenhar todos os esforços necessários, em colaboração com parceiros regionais e internacionais, para alcançar soluções sustentáveis. Esperamos que estes acordos inaugurem uma nova era de resolução de conflitos e desescalada regional", afirmou o presidente.
Alertas sobre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia
Apesar do otimismo com os acordos diplomáticos, o Presidente El-Sisi fez uma grave advertência: enquanto as atenções internacionais se concentravam na crise com o Irã, o escopo da chamada "Linha Amarela" na Faixa de Gaza foi expandido. Atualmente, a área abrange cerca de 70% do território, deixando apenas 30% para o povo palestino.
O líder egípcio enfatizou que essa abordagem deve ser interrompida imediatamente e que a anexação da Cisjordânia não pode ser permitida sob nenhuma circunstância.
Segurança Coletiva, Soberania e Recursos Transfronteiriços
Para o Egito, a estabilidade regional exige o cumprimento estrito do direito internacional. El-Sisi listou os pilares fundamentais para a convivência pacífica na região:
Respeito à soberania: Rejeição absoluta a agressões ou interferências nos assuntos internos de outros países.
Fim da ocupação: Cumprimento das normas internacionais e preservação das instituições do Estado-nação.
Monopólio da força: Restrição da posse de armas estritamente às forças institucionais legítimas.
Segurança de recursos: Estabelecimento de acordos de segurança coletiva que incluam a gestão de recursos transfronteiriços, como segurança hídrica, energética e de rotas marítimas.
Desarmamento: Criação de uma zona livre de armas nucleares e de destruição em massa no Oriente Médio, com aplicação integral e não seletiva do regime de não proliferação.
Solidariedade ao Golfo Árabe e Navegação Marítima
O mandatário reafirmou a condenação categórica do Egito a qualquer agressão injustificada contra as nações do Golfo Árabe, destacando que a segurança do Golfo é parte integrante da segurança nacional egípcia. Ele também reforçou a necessidade crucial de garantir a livre e segura navegação de navios por hidrovias internacionais, rejeitando tentativas de alterar o status jurídico dessas rotas.
Críticas a Israel e Respaldo Internacional ao Papel do Egito
Durante a reunião, os líderes do G7 debateram a importância de impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e salvaguardar o comércio global, que vem sofrendo impactos negativos na infraestrutura de energia devido à instabilidade marítima.
Ao analisarem o cenário no Líbano, os líderes presentes criticaram abertamente as práticas do Primeiro-Ministro israelense e de seu governo na região. O G7 enfatizou que Israel deve:
1. Cessar os ataques ao Líbano e retirar-se do território libanês.
2. Fortalecer o governo legítimo do Líbano, avaliando o envio de uma força internacional de manutenção da paz da ONU.
3. Avançar para a segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza e viabilizar a coexistência pacífica entre Israel e o Estado palestino.
O papel do Egito como mediador foi amplamente elogiado. A Primeira-Ministra da Itália destacou que a presença de El-Sisi reforça que a paz só será alcançada por meio de tratados sólidos, citando como modelo o acordo histórico de paz entre Egito e Israel. O Primeiro-Ministro do Canadá também enalteceu o papel central desempenhado por El-Sisi e pelo Presidente Donald Trump na conquista do cessar-fogo em Gaza.
Considerações Finais
Em sua intervenção de encerramento, o Presidente El-Sisi endossou que o tratado de paz Egito-Israel continua sendo um exemplo vivo de que a oportunidade de pacificação regional deve ser abraçada. Ele alertou que a comunidade internacional deve blindar os acordos costurados pelo presidente Trump contra retrocessos.
Por fim, El-Sisi apontou que a recusa de Israel em se retirar de cinco pontos específicos determinados no acordo de cessar-fogo com o Líbano tem agravado a situação local, reiterando a liderança vital dos Estados Unidos para mediar e resolver o impasse.
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