O tabuleiro político do Paraná sofreu uma mudança estratégica profunda. O governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD) confirmou oficialmente que não sairá candidato a nenhum cargo nas eleições de outubro. Ao optar por cumprir integralmente o seu mandato no Palácio Iguaçu até dezembro, Ratinho Júnior abriu mão da pré-candidatura à Presidência da República — onde vinha despontando como um nome forte da centro-direita — e, por não ter se desincompatibilizado do cargo no prazo legal de abril, ficou juridicamente fora da disputa ao Senado.
A estratégia de bastidores para a permanência é clara: manter o controle total da máquina estadual e focar 100% de sua força política para tentar emplacar seu sucessor no estado, contendo o avanço do PL e das forças de oposição. Como o cenário eleitoral é altamente dinâmico, analistas relembram que as informações sobre candidaturas e alianças mudam rapidamente, sendo fundamental verificar as respostas e registros definitivos junto a fontes oficiais, como o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR).
Cenário para o Governo: Sergio Moro lidera com folga
As listagens estimuladas mais recentes dos institutos Paraná Pesquisas e Veritá, divulgadas neste mês de junho, mostram um cenário consolidado na disputa pelo Palácio Iguaçu, com liderança isolada do ex-juiz Sergio Moro (PL):
Sergio Moro (PL): Lidera com folga a corrida pelo governo, registrando entre 42,3% (no Paraná Pesquisas) e 57,9% dos votos válidos (no Instituto Veritá). Em simulações de segundo turno, ele vence todos os adversários com mais de 70% dos votos válidos.
Requião Filho (PDT): Consolida-se na segunda posição, na casa dos 19%, concentrando o eleitorado de oposição e de esquerda.
Rafael Greca (MDB): O ex-prefeito de Curitiba pontua entre 10% e 13,9%.
Sandro Alex (PSD): O nome escolhido por Ratinho Júnior para a sucessão aparece atualmente com 9,3% a 10,7%. A principal aposta do governo para os próximos meses é utilizar a capilaridade da gestão e a imagem do atual governador para impulsionar o crescimento do deputado federal.
Disputa pelas duas vagas no Senado segue embolada
Diferente do afunilamento para o Executivo, a corrida pelas duas cadeiras do Paraná no Senado Federal apresenta variações interessantes de liderança dependendo da metodologia de pergunta (primeiro e segundo voto), refletindo um forte equilíbrio:
Alvaro Dias (MDB) e Deltan Dallagnol (Novo): Revezam-se no topo das intenções de voto. No Paraná Pesquisas, Alvaro Dias lidera isolado com 37,7%. Já no recorte do Instituto Veritá para o primeiro voto, Deltan Dallagnol assume a ponta com 36,8%.
Pelotão Intermediário: Logo atrás, há um empate técnico acirrado entre três forças distintas:
Gleisi Hoffmann (PT): Registra entre 19,8% e 25,2% das intenções. É o nome com maior teto da esquerda, embora enfrente a maior rejeição da lista (53,8%).
Filipe Barros (PL): Pontua fortemente entre 17,5% e 24,2%, surfando no voto conservador.
Alexandre Curi (PSD/Republicanos): O presidente da Assembleia Legislativa, apoiado abertamente por Ratinho Júnior, aparece consolidado com forças entre 10,7% e 23,4%.
Fator de divisão: A jornalista Cristina Graeml (PSD) pontua entre 13,1% e 15,6%, dividindo espaço na ala mais conservadora do eleitorado paranaense.
O desenho atual mostra que, embora o grupo de Ratinho Júnior mantenha ampla articulação e estabilidade na Assembleia Legislativa, terá pela frente o desafio direto de transferir o capital político do governador para Sandro Alex na disputa majoritária, em meio a um eleitorado fortemente disputado por lideranças de direita e de oposição.
Nota de Redação: Os dados estatísticos citados baseiam-se nos levantamentos públicos realizados pelos institutos Paraná Pesquisas e Veritá no estado do Paraná em junho de 2026. Os cenários de pré-candidatura estão sujeitos a alterações e devem ser validados nas atas das convenções partidárias oficiais.
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