terça-feira, 23 de junho de 2026

Rio Grande do Sul chega às vésperas das convenções com chapa única de esquerda na liderança e disputa polarizada pelo Piratini

Rio Grande do Sul chega às vésperas das convenções com chapa única de esquerda na liderança e disputa polarizada pelo Piratini

A corrida para o Governo do Rio Grande do Sul entra em sua fase decisiva com o cenário desenhado por três grandes forças políticas. Pesquisas de intenção de voto divulgadas neste fim de junho revelam que a unificação estratégica da centro-esquerda reposicionou o tabuleiro gaúcho, abrindo uma disputa acirrada com o bloco conservador e pressionando a candidatura situacionista de centro.

O principal fato político que reconfigurou as forças no estado foi o recuo do Partido dos Trabalhadores (PT) da cabeça de chapa. O ex-deputado Edegar Pretto, que liderava as articulações da sigla, aceitou compor como vice na candidatura de Juliana Brizola (PDT). A engenharia política, articulada sob a influência da Executiva Nacional do PT para garantir o palanque do presidente Lula no estado, surtiu efeito prático imediato: a frente ampla — que reúne PDT, PSB e as federações PT/PCdoB/PV e PSOL/Rede — assumiu a liderança numérica da disputa, registrando 37% das intenções de voto.

Logo atrás, consolidando a forte polarização que historicamente caracteriza o eleitorado gaúcho, aparece o bloco de oposição à direita. O deputado federal Tenente-Coronel Zucco (PL) desponta com 32% das preferências, ancorado pelo voto conservador e pelo alinhamento com o ex-presidente Jair Bolsonaro. O PL busca atrair siglas de peso, como o Progressistas (PP) e o Republicanos, para consolidar um palanque de oposição direta tanto ao governo federal quanto à atual gestão estadual.

Correndo por fora da polarização, o atual vice-governador Gabriel Souza (MDB) assume a missão de representar o legado do governador Eduardo Leite (PSD). Pontuando com 18%, a chapa governista aposta na força das máquinas municipais e na defesa da gestão pós-crise climática para tentar romper a barreira do segundo turno. Contudo, o grupo enfrenta o desafio de manter o debate focado em temas regionais, evitando que o cenário local seja inteiramente absorvido pela pauta nacional.

A corrida para as duas vagas disponíveis ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul segue com o cenário ainda mais fragmentado. Nomes tradicionais e de diferentes espectros — como o ministro Paulo Pimenta (PT), os deputados federais Marcel van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL), o ex-governador Germano Rigotto (MDB) e a ex-deputada Manuela d'Ávila (PSOL) — dividem as atenções do eleitorado sem um favoritismo absoluto.

Próximos passos no calendário

As especulações e os acordos de bastidores têm data limite para terminar. Conforme as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito de 2026, o período oficial para a realização das convenções partidárias começa no dia 20 de julho e vai até o dia 5 de agosto. É dentro deste prazo que os partidos e federações deverão homologar formalmente suas coligações, atas e registrar os candidatos que disputarão o voto dos gaúchos em outubro.

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