Presidente do Líbano eleva o tom contra interferência estrangeira: "O Líbano não é o país de vocês, é o nosso"
Em entrevista exclusiva à CNN, o chefe de Estado, Joseph Aoun, acusa o Irã de usar o Líbano como moeda de troca, exige que o Hezbollah ceda espaço à diplomacia e cobra compromisso real de Israel para o fim definitivo das hostilidades.
Em um posicionamento histórico que redefine a postura soberana do Líbano diante da atual crise geopolítica no Oriente Médio, o presidente da República, Joseph Aoun, enviou um recado duro e direto a Teerã, ao Hezbollah e ao governo de Israel. Em entrevista concedida à rede de televisão americana CNN, Aoun rejeitou categoricamente a influência iraniana no país e defendeu que a via diplomática é a única saída possível para salvar o que resta da nação.
A reação do presidente libanês surge após declarações do chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, que vinculou o destino do embate entre Irã e Estados Unidos aos combates em solo libanês.
"Nosso povo está sendo morto, nossas casas estão sendo destruídas. Eles [os iranianos] usam o Líbano como moeda de troca em suas negociações com os Estados Unidos. Isso é inaceitável", afirmou Joseph Aoun. "Este não é o país de vocês, é o nosso. O papel de vocês não é interferir em nosso país."
Críticas ao Hezbollah e o clamor popular
Em uma de suas críticas mais contundentes até o momento, o chefe de Estado afirmou que o secretário-geral do Hezbollah, Naim Kassem — que recentemente rejeitou uma proposta de cessar-fogo costurada em Washington —, "não representa o povo libanês".
Aoun ressaltou que a decisão unilateral da organização xiita de arrastar o Líbano para o conflito resultou, apenas nos últimos meses, em um rastro de 3.558 mortos e mais de 10 mil feridos. O presidente destacou que tem ouvido relatos de exaustão de libaneses de todas as confissões religiosas, incluindo a comunidade xiita. "Eles merecem não ver suas casas destruídas a cada cinco ou dez anos", pontuou.
Apelo e advertência a Israel
O presidente libanês também direcionou sua fala ao povo e às lideranças de Israel, questionando a eficácia histórica do uso exclusivo da força militar. Evocando o desgaste do conflito que perdura desde 1948, Aoun garantiu que as incursões armadas nunca trarão segurança real aos habitantes do norte de Israel e exigiu um engajamento genuíno por parte do Estado judeu.
"É hora de a força da razão prevalecer sobre a razão da força. Querem realmente viver em paz? Então vamos nos sentar e conversar. Nós estamos prontos, estamos dispostos, estamos comprometidos. Vocês estão? Se não estiverem, nunca viverão em paz e segurança", advertiu.
Apesar de classificar as negociações em andamento como "difíceis", o mandatário confirmou que um avanço de grande importância já foi alcançado, abrindo caminho para o que pode se tornar uma paz justa e duradoura. Joseph Aoun não descartou um futuro encontro com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mas reiterou que isso só ocorrerá após a assinatura definitiva de um acordo que encerre os combates.
Sobre o Líbano (Contexto Atual):
O Líbano busca consolidar a implementação de um plano de cessar-fogo sob a mediação internacional, que prevê a criação de zonas piloto controladas pelo Exército Libanês no sul do país, visando a completa restauração da soberania nacional e a estabilização das fronteiras.
Nota ao editor: As informações e citações deste release baseiam-se na entrevista oficial concedida pelo presidente Joseph Aoun em 5 de junho de 2026.
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