domingo, 7 de junho de 2026

Pentágono eleva risco de espionagem israelense ao nível máximo em meio a divergências estratégicas sobre o Irã

Pentágono eleva risco de espionagem israelense ao nível máximo em meio a divergências estratégicas sobre o Irã

A Agência de Inteligência de Defesa dos EUA (DIA), braço do Pentágono, elevou a avaliação da ameaça de espionagem representada por Israel para a categoria mais alta do seu sistema interno, classificada como "crítica". A mudança ocorre no momento em que a guerra entre os EUA, Israel e o Irã completa 100 dias, evidenciando uma forte divergência diplomática entre Washington e Tel Aviv sobre o encerramento do conflito.

De acordo com relatórios obtidos originalmente pela NBC News e pelo The New York Times (NYT), citando autoridades de inteligência e defesa americanas, agências israelenses intensificaram os esforços de vigilância nas últimas semanas. O foco principal seriam os negociadores e formuladores de políticas de Washington envolvidos nas tratativas com o Irã.

Alvos de alta patente e monitoramento digital

Fontes governamentais anônimas indicaram ao The New York Time que o monitoramento israelense cruzou limites tradicionalmente aceitos entre aliados. Entre os alvos da vigilância estariam figuras do alto escalão do governo de Donald Trump, como:

Steve Witkoff, principal negociador e enviado presidencial;

Elbridge A. Colby, principal funcionário de formulação de políticas do Pentágono;

Michael P. DiMino IV, assessor direto do Pentágono.

O relatório aponta ainda que militares americanos em serviço em Israel teriam descoberto *softwares* de espionagem instalados sub-repticiamente em seus telefones celulares para a interceptação de comunicações. Segundo a DIA, a escalada nas atividades de espionagem começou no final de 2024 e manteve-se em alta após a eleição de Trump e o início das negociações de cessar-fogo com Teerã.

Divergência de interesses entre aliados

O estopim para o monitoramento agressivo seria o forte desacordo político entre os líderes dos dois países. Enquanto o presidente Donald Trump busca uma saída diplomática para desvencilhar os EUA do conflito — que provocou uma disparada nos preços globais de energia —, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insiste na continuidade da campanha militar para derrubar o regime iraniano.

Em declarações à Al Jazeera, analistas explicaram a motivação estratégica por trás da espionagem:

"O principal receio israelense é que Washington concorde com um acordo que estabeleça uma estrutura diplomática duradoura, limitando a liberdade de manobra militar de Israel contra o Irã no futuro. Portanto, eles têm um forte incentivo para entender as negociações em tempo real e identificar oportunidades para influenciar ou descarrilar o processo."

 — Andreas Krieg, professor do Departamento de Segurança do King’s College London.
 
A analista e especialista em Irã, Negar Mortazavi, reforçou à publicação que os interesses de ambos os países deixaram de se sobrepor: "Neste ponto, está muito claro que os interesses dos EUA e os interesses israelenses são divergentes. Trump quer sair da guerra através da diplomacia", afirmou.

Respostas Oficiais

O governo de Israel rechaçou veementemente as acusações. Em nota enviada à NBC News, a Embaixada de Israel em Washington classificou os relatos como "completamente falsos", afirmando que *"Israel não coleta inteligência sobre entidades americanas, muito menos sobre funcionários do governo dos EUA".

Da mesma forma, um funcionário da Casa Branca minimizou o vazamento à imprensa, declarando que "toda a história é falsa e tem como fonte alguém que não tem nenhum conhecimento do que está acontecendo".

Apesar dos desmentidos oficiais, o histórico de espionagem mútua e a atual crise diplomática em torno dos bombardeios israelenses no Líbano — que já deixaram mais de 3.500 mortos e travam o acordo com o Irã — mantêm a comunidade de inteligência de Washington em estado de alerta máximo.

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