sexta-feira, 5 de junho de 2026

Presidente do Líbano eleva o tom contra o Irã e o Hezbollah: "Não é o seu país, é o nosso"

Presidente do Líbano eleva o tom contra o Irã e o Hezbollah: "Não é o seu país, é o nosso"

Em uma das declarações mais contundentes desde o agravamento da crise no Oriente Médio, o presidente libanês, Joseph Aoun, subiu o tom contra a interferência estrangeira no país. Em entrevista exclusiva à rede americana CNN nesta sexta-feira (5), Aoun acusou abertamente o Irã de usar o território libanês como "moeda de troca" em suas negociações geopolíticas com Washington e Israel.

Direcionando-se diretamente a Teerã, principal patrocinadora da milícia Hezbollah, o chefe de Estado exigiu o fim imediato da ingerência nos assuntos internos do Líbano. "Vocês não estão tentando nos ajudar... o povo do Líbano está pagando o preço pelo interesse de vocês", disparou o mandatário, emendando um aviso direto: "Não é o país de vocês, é o nosso país".

Racha interno e rejeição ao Hezbollah

A entrevista também marcou um momento raro de confrontação pública direta entre a presidência e a liderança do Hezbollah. Joseph Aoun afirmou categoricamente que o secretário-geral do grupo, Naim Qassem, "não representa o povo libanês".

A declaração ocorre logo após Qassem rejeitar publicamente a última proposta de cessar-fogo intermediada por Washington na última quarta-feira. O líder da milícia classificou os termos diplomáticos como uma "rendição" e "derrota", exigindo a retirada imediata das tropas israelenses do sul do Líbano sem contrapartidas prévias.

Para Aoun, no entanto, a postura do Hezbollah ignora o sofrimento da população civil. O presidente argumentou que os libaneses estão exaustos de ver suas vidas e infraestruturas destruídas ciclicamente por conflitos iniciados por interesses terceiros.

Alinhamento no governo e o futuro do acordo

O posicionamento do presidente reflete um racha profundo e uma postura mais firme do governo oficial libanês. No mesmo dia, o primeiro-ministro Nawaf Salam endossou as críticas, pedindo publicamente que o Irã "tenha misericórdia" do sul do Líbano e cesse o uso da população como escudo de barganha internacional.

O plano de cessar-fogo defendido pelo governo libanês prevê a criação de "zonas-piloto" de segurança no sul do país, que passariam a ser controladas exclusivamente pelas Forças Armadas oficiais do Líbano, exigindo o recuo e o desarmamento de milícias não estatais na região de fronteira — termo que o Hezbollah resiste firmemente em aceitar.

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