Presidente do Líbano classifica Acordo de Washington como "última chance" para a paz e exige fim da interferência iraniana
Em um momento decisivo para a soberania e a segurança regional, o Presidente do Líbano, Joseph Aoun, subiu o tom diplomático ao classificar a nova proposta de trégua mediada pelos Estados Unidos como a "última oportunidade" para a consolidação de um cessar-fogo abrangente e definitivo com Israel.
A declaração ocorre logo após a conclusão da complexa quarta rodada de negociações no Departamento de Estado americano, em Washington. O Palácio Presidencial confirmou que os diálogos atingiram momentos de extrema tensão, chegando a uma suspensão temporária por parte do chefe da delegação libanesa, Simon Karam, que exigiu garantias formais de cessar-fogo integral antes de avançar na pauta. A retomada das conversas demandou a intervenção direta do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
De acordo com o Presidente Aoun, o plano de implementação prática do acordo possui um cronograma ágil, podendo ser iniciado nas 24 horas seguintes à obtenção das garantias de conformidade por todas as partes internas envolvidas, incluindo o Hezbollah. O mandatário libanês apontou o presidente norte-americano, Donald Trump, como o garantidor direto da execução dos termos do tratado.
Defesa Absoluta da Soberania Nacional
Paralelamente aos esforços em Washington, o Presidente Joseph Aoun enviou um recado duro e direto a Teerã durante entrevista à rede internacional CNN, exigindo o afastamento das forças externas dos assuntos domésticos do país:
"Este não é o vosso país, é o nosso (...) Não têm de intervir no nosso país", declarou o presidente, conclamando o Irã a cessar suas interferências em solo libanês.
A postura presidencial foi endossada pelo Primeiro-Ministro, Nawaf Salam, que pediu publicamente que o governo iraniano interrompa o uso do sul do Líbano como moeda de troca ou "meio de pressão" em suas próprias agendas de negociação com os Estados Unidos.
Desafios de Implementação no Terreno
O plano de paz estruturado prevê a criação de "zonas piloto de segurança" na região sul do Líbano — englobando localidades estratégicas como Zawtar al-Sharqiya, Zawtar al-Gharbiya, Yahmar e o entorno do histórico Castelo de Beaufort. Sob o escopo do acordo, o Exército Libanês assumirá o controle territorial exclusivo dessas áreas, o que demanda o recuo completo de milícias e atores não estatais.
O governo reconhece os severos impasses internos para a consolidação do projeto, acentuados pela rejeição pública dos termos de Washington por parte do líder do Hezbollah, Naim Qassem, e pela persistência de incursões e ataques israelenses no sul do país. Ainda assim, a presidência reafirma seu compromisso inabalável com a diplomacia, a centralidade das Forças Armadas e a restauração da plena soberania territorial do Líbano.
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