segunda-feira, 15 de junho de 2026

Em Évian, Trump e Macron deixam tensões tarifárias de lado e priorizam pragmatismo em reunião bilateral no G7

Em Évian, Trump e Macron deixam tensões tarifárias de lado e priorizam pragmatismo em reunião bilateral no G7

Líderes evitam embates públicos sobre taxas digitais e vinhos, celebram acordo com o Irã e alinham jantar histórico no Palácio de Versalhes.

O aguardado encontro bilateral entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente francês Emmanuel Macron, na abertura da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, foi marcado por um forte tom de pragmatismo político e cordialidade. Diante da imprensa e dos holofotes internacionais, ambos os líderes optaram por "jogar limpo", blindando a reunião de qualquer atrito público e focando na cooperação estratégica, contrariando o clima de forte fricção comercial que antecedeu o desembarque das comitivas.

Horas antes de chegar à França, Trump havia subido o tom em entrevista ao New York Post, ameaçando impor tarifas de 100% sobre os vinhos franceses caso o governo de Macron não eliminasse a taxa digital de 3% cobrada sobre as gigantes de tecnologia americanas. Macron, por sua vez, havia rebatido firmemente à TV francesa local, afirmando que não cederia a pressões e que "tarifas não fazem bem a ninguém". Na sala de reuniões, contudo, a retórica agressiva deu lugar a trocas de cortesias e respeito mútuo.

"Emmanuel tem sido um amigo especial para mim", declarou Trump logo no início da sessão conjunta. "Temos tido uma relação fantástica e trabalhamos juntos em muitos acordos".

O Acordo com o Irã e a Segurança de Ormuz

O principal ponto de convergência e alívio diplomático foi a consolidação do memorando de entendimento para encerrar o conflito com o Irã. Macron elogiou publicamente o presidente americano pela condução do pacto, que abre uma janela de 60 dias para complexas negociações técnicas sobre o programa balístico e o urânio enriquecido. Trump confirmou o avanço aos jornalistas: "O acordo está todo assinado. E o estreito [de Ormuz] já está parcialmente aberto".

Ao ser questionado sobre o papel da França na garantia de que a rota marítima vital permaneça livre e sem pedágios, Trump adotou uma postura direta e transacional: "Não acho que vamos precisar de muita ajuda (...), mas não acho uma má ideia ter um navio ou dois de alguns países por lá. Vocês [França] seriam um ótimo país para fazer isso, porque nunca se sabe o que acontece".

Diplomacia Pessoal e Próximos Passos

Além das pautas de segurança que envolvem os esforços para buscar um cessar-fogo na Ucrânia, o encontro abriu espaço para interações descontraídas. Trump elogiou o futebol e os lutadores franceses, fazendo menção ao evento de artes marciais mistas (MMA) que recebeu no gramado da Casa Branca no último domingo para celebrar seus 80 anos — motivo pelo qual a organização francesa aceitou adiar o início da cúpula em um dia.

Como reflexo do canal de comunicação direto mantido entre Paris e Washington, Macron confirmou que receberá Trump para um banquete exclusivo na próxima quarta-feira, no Palácio de Versalhes. O jantar oficial, além de servir de palco para aparar as últimas arestas geopolíticas, marcará as comemorações antecipadas do Semiquincentenário (os 250 anos de independência dos Estados Unidos), reforçando o simbolismo histórico da aliança franco-americana.

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