Quase dois anos após as primeiras tratativas, a Ucrânia voltou a solicitar formalmente aos Estados Unidos as licenças necessárias para a fabricação própria dos mísseis interceptadores do sistema Patriot. O pedido renovado ocorre em um momento crítico, sob circunstâncias significativamente mais adversas do que no passado, marcadas por uma severa escassez de munição defensiva e pela rápida intensificação dos ataques russos contra a capital, Kyiv, e outras grandes cidades.
A gravidade do cenário foi evidenciada no recente ataque perpetrado pela Rússia em 1º de agosto. Segundo dados fornecidos pela Força Aérea da Ucrânia, Moscou lançou 35 mísseis contra o território ucraniano — dos quais 27 eram mísseis balísticos de alta velocidade —, tendo Kyiv como alvo principal. Sem estoque suficiente de interceptadores, as forças de defesa locais conseguiram abater apenas dois dos projéteis disparados.
Apesar da urgência em solo ucraniano, o processo decisório em Washington permanece incerto. No dia 31 de julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Casa Branca ainda não tomou uma decisão definitiva sobre autorizar a Ucrânia a fabricar os mísseis Patriot em seu próprio território.
A declaração representa uma mudança no tom das negociações. Semanas antes, o presidente norte-americano havia sinalizado que atenderia à solicitação. A indefinição atual contrasta também com a avaliação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, após reunião entre os chefes de Estado na Casa Branca, em 28 de julho, ocasião na qual o líder ucraniano declarou ter recebido o compromisso verbal de Trump para a concessão das licenças.
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