E o Exército de Israel na Reconstrução? Qual posicionamento provável neste cronograma?
Para que o cronograma de 10 anos seja cumprido, o acompanhamento militar deve seguir este desenho:
1. O Exército de Israel (IDF) e o COGAT
A função principal das forças israelenses não é "construir", mas validar e monitorar.
Segurança de Perímetro: O exército acompanha a entrada de maquinário pesado e materiais de "uso dual" (como cimento e aço, que podem ter finalidade militar ou civil) através das passagens de Rafah, Kerem Shalom e Zikim.
Escolta Técnica: Em áreas próximas à zona de demarcação ou ao Corredor Netzarim, o exército providencia a segurança necessária para que engenheiros internacionais possam realizar medições de solo e topografia sem exposição a riscos de remanescentes de combate.
2. Unidades de Engenharia Internacional (Capacetes Azuis e Outros)
Diferente das tropas de combate, as unidades de engenharia militar de países neutros ou da ONU possuem o "know-how" para a fase de Estabilização (Fase 1).
Desminagem (EOD): Esta é a tarefa militar mais crítica. Antes de qualquer trator de prefeitura ou empresa privada entrar, especialistas militares em explosivos precisam "limpar" o traçado da rodovia.
Pontes e Passagens Rápidas: Engenheiros militares são especialistas em soluções temporárias. Em Gaza, onde as conexões leste-oeste foram destruídas, eles instalariam pontes modulares para permitir que a ajuda humanitária cruze crateras ou áreas inundadas enquanto a obra definitiva não começa.
3. O Papel de "Obras Públicas" vs. "Forças de Segurança"
No plano discutido em abril de 2026, a governança segue este fluxo:
Militar: Garante que o canteiro de obras seja seguro e que o material não seja desviado.
Civil/Técnico: Executa o asfalto, a drenagem e a infraestrutura urbana.
O Paralelo com a Experiência Brasileira
Para um gestor no Brasil, o modelo que mais se aproxima dessa necessidade em Gaza é o dos Batalhões de Engenharia de Construção (BEC) do Exército Brasileiro.
Em Santa Catarina, por exemplo, o Exército frequentemente é acionado para obras emergenciais ou em terrenos complexos onde a iniciativa privada não consegue operar sozinha devido ao risco ou à logística.
Em Gaza, essa "mão de obra estatal militar" seria a única capaz de operar nos primeiros 18 meses, dada a total ausência de segurança jurídica e física para empreiteiras civis internacionais.
Resumo: O Exército não apenas acompanharia, como seria o "batedor" das obras. Sem o selo de segurança militar para a desminagem e o controle de materiais, nenhuma seguradora internacional permitiria que engenheiros civis pisassem no terreno para iniciar o asfalto.
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