quinta-feira, 28 de maio de 2026

Em Moscou, Celso Amorim defende soberania jurídica do Brasil e articulação multilateral com o Kremlin

Em Moscou, Celso Amorim defende soberania jurídica do Brasil e articulação multilateral com o Kremlin

A passagem do Embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, por Moscou nesta semana consolidou o posicionamento estratégico do Brasil na busca por uma ordem multipolar e na preservação de sua autonomia jurídica. Participando de fóruns de alto escalão e agendas bilaterais, o emissário brasileiro reforçou os laços diplomáticos com a Federação Russa e estabeleceu firmes limites conceituais sobre a segurança nacional do país perante o cenário geopolítico global.

Fortalecimento da Agenda Multilateral nos BRICS e G20

Antes de seus pronunciamentos em fóruns multilaterais, Celso Amorim manteve uma reunião bilateral oficial com o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov. No encontro, os dois representantes reiteraram a disposição mútua de Brasil e Rússia em continuar estreitando e fortalecendo a coordenação em matéria de política externa.

A articulação conjunta entre Brasília e Moscou marchará centralizada no âmbito de formatos multilaterais de cooperação, primordialmente nas frentes dos BRICS, da Organização das Nações Unidas (ONU) e do G20, priorizando o equilíbrio de forças global e o diálogo contínuo.

Defesa da Soberania Regional e Crítica ao Alinhamento Conceitual

Durante seu discurso no XIV Encontro de Altos Representantes para Assuntos de Segurança, promovido pelo Kremlin, Amorim abordou os desafios da violência global e da soberania, estabelecendo um contraponto direto a decisões unilaterais estrangeiras.

O pronunciamento do assessor especial brasileiro ocorreu poucas horas antes de o Departamento de Estado dos Estados Unidos — sob o comando do secretário Marco Rubio — anunciar formalmente a designação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como "Terroristas Globais Especialmente Designados".

Antecipando-se ao debate e respondendo às pressões políticas que cercam o tema, Amorim enfatizou que o crime organizado transnacional é uma ameaça severa que deve ser combatida com a máxima energia pelas nações da América do Sul. Contudo, o embaixador defendeu veementemente que equipará-lo ao terrorismo não é útil. Segundo ele:

"A conceituação distorcida não contribui para o combate efetivo. Compreender as motivações específicas e a natureza de cada tipo de criminalidade é premissa essencial para o sucesso das ações coercitivas do Estado."

Amorim sublinhou a preocupação do governo brasileiro com medidas que afetam diretamente a soberania jurídica dos países em desenvolvimento perante decisões tomadas por potências estrangeiras, blindando o ordenamento legal do país contra interferências externas na condução de sua segurança pública doméstica.

Autonomia Estratégica

A missão do emissário brasileiro em território russo reafirma a pragmática estratégia de política externa do Brasil de manter canais estritamente abertos e diálogo contínuo com o Kremlin. Ao mesmo tempo, a viagem demarca a independência das posições diplomáticas brasileiras, assegurando que o combate ao crime em solo nacional responda estritamente à soberania e aos interesses estratégicos do Brasil perante o atual xadrez geopolítico.

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