sábado, 23 de maio de 2026

COLAPSO DA INFRAESTRUTURA EM CUBA ELEVA APAGÕES CRÔNICOS PARA ATÉ 22 HORAS DIÁRIAS E ATINGE A CAPITAL

COLAPSO DA INFRAESTRUTURA EM CUBA ELEVA APAGÕES CRÔNICOS PARA ATÉ 22 HORAS DIÁRIAS E ATINGE A CAPITAL

O agravamento da crise energética em Cuba atingiu o limite operacional, forçando o Ministério de Energia e Minas a anunciar cortes severos no fornecimento de eletricidade que chegam a 22 horas por dia. O colapso quase total da infraestrutura básica do país expõe uma realidade técnica e logística crítica que agora afeta inclusive a capital, Havana, região que historicamente o governo tentava poupar dos apagões mais severos para evitar distúrbios sociais.

1. O Colapso das Centrais Termelétricas (CTE)

O Sistema Elétrico Nacional (SEN) cubano encontra-se em estado de vulnerabilidade devido à sua dependência majoritária de usinas termelétricas obsoletas, muitas com mais de 40 anos de operação contínua e sem a manutenção devida.

Déficit de Geração: A escassez de investimentos e a falta de peças de reposição provocaram falhas mecânicas em cadeia nas principais usinas do país, incluindo a CTE Antonio Guiteras e a CTE Lidio Ramón Pérez (Felton). Diante da escassez de combustível, o sistema perde a capacidade de manter a frequência de operação, culminando em desligamentos totais da rede.
 
Dependência de Geradores Flutuantes: Como medida de mitigação, o governo cubano recorre ao aluguel de usinas flutuantes (barcaças turcas). Contudo, a operação emergencial dessas estruturas exige um consumo massivo de diesel e óleo combustível (fuel oil), insumos que estão em falta crônica na ilha.

2. O Impacto do Bloqueio Petrolífero e Logística de Fornecimento

A justificativa oficial de Havana para o colapso aponta diretamente para o endurecimento das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, que afetam o fluxo logístico de abastecimento:
 
Perseguição a Navios-Tanque: O governo cubano denuncia que as sanções da Casa Branca penalizam severamente empresas de navegação, seguradoras e armadores que aceitam transportar combustível para a ilha. 

A retaliação financeira encarece os fretes e afugenta fornecedores internacionais, interrompendo a entrada regular de petróleo.

Queda no Fornecimento de Parceiros: Fornecedores históricos, como a Venezuela, reduziram expressivamente os envios subsidiados de petróleo nos últimos anos devido às suas próprias dificuldades de produção. O cenário força Cuba a buscar combustível no mercado internacional a preços de mercado, sem dispor de divisas suficientes para honrar os pagamentos.

3. Consequências Sociais e Econômicas

A extensão dos cortes diários para até 22 horas paralisou a dinâmica social e econômica de Havana e das províncias do interior:
 
Paralisia Econômica: Sem energia, o comércio, as indústrias e os serviços estatais operam em ritmo mínimo ou interrompem totalmente suas atividades. Adicionalmente, o bombeamento de água potável para os edifícios urbanos foi afetado, gerando crises secundárias de desabastecimento de água.

Insegurança Alimentar: A ausência prolongada de refrigeração doméstica impede a população de conservar os poucos alimentos perecíveis que consegue adquirir, agravando de forma acentuada o descontentamento popular face ao desabastecimento generalizado.

O Ministério de Energia e Minas mantém o monitoramento das centrais afetadas, porém a normalização do Sistema Elétrico Nacional permanece condicionada à resolução dos impasses logísticos e financeiros para a aquisição de combustíveis.

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