XXXIII
O Presente Celeste: Clarín e a Lua das Flores de Maio (Balneário Camboriú)
A tarde de 12 de maio de 2025 banhava a praça de Balneário Camboriú com uma luz dourada e suave. Vasco encontrou Clarín sentado em seu banco habitual, observando o movimento das pessoas com um sorriso tranquilo.
"Boa tarde, Clarín," cumprimentou Vasco, sentando-se ao seu lado. "O céu está particularmente bonito hoje."
Clarín assentiu, seus olhos voltados para o azul límpido acima. "De fato, jovem Vasco. E esta noite, teremos um presente especial para admirar."
"Ah sim?" perguntou Vasco, curioso. "Algum evento astronômico?"
"Sim," respondeu Clarín, com um brilho nos olhos. "Hoje, dia 13 de maio, teremos a Lua Cheia. E esta Lua Cheia de maio tem um nome especial: Lua das Flores."
Vasco franziu a testa levemente. "Lua das Flores? Por quê?"
Clarín sorriu. "Maio é o mês em que a natureza floresce em plenitude no Hemisfério Norte. Os campos se enchem de cor e perfume. Os antigos associavam essa lua cheia à abundância e à beleza da floração." Ele fez uma pausa, olhando para o céu como se já a visse surgir. "Embora aqui no Hemisfério Sul estejamos no outono, a beleza da Lua Cheia é universal, um farol prateado em qualquer época do ano."
"E é uma 'microlua' também, não é?" lembrou Vasco, das conversas com Edgar.
"Exatamente," confirmou Clarín. "A Lua estará em seu apogeu, o ponto mais distante de sua órbita ao redor da Terra. Por isso, parecerá um pouco menor do que as luas cheias que ocorrem quando ela está mais próxima." Ele gesticulou para o céu. "Ainda assim, sua luz será intensa e majestosa, iluminando a noite com sua beleza suave."
Vasco olhou para o céu, imaginando o disco lunar cheio surgindo sobre o oceano naquela noite. "É incrível pensar nessa dança constante entre a Terra e a Lua, essa órbita elíptica que faz sua distância variar."
Clarín assentiu. "É a dança cósmica, jovem Vasco. Nada é estático no universo. Tudo está em movimento, em constante mudança. A Lua se afasta e se aproxima, as estações se sucedem, e nós, aqui na Terra, somos parte dessa mesma dança."
Ele apoiou as mãos sobre a bengala. "Então, esta noite, quando a Lua das Flores surgir no céu, lembre-se de apreciar sua beleza simples e universal. Lembre-se da dança constante do universo e do nosso lugar dentro dela. E talvez, apenas por um momento, sinta a conexão com aqueles que, em outras épocas e em outras partes do mundo, também contemplaram essa mesma luz."
Vasco sorriu, sentindo uma nova apreciação pela noite que se aproximava. A Lua Cheia, a Lua das Flores, uma microlua distante mas ainda assim luminosa, seria mais do que um objeto celeste; seria um lembrete da vastidão e da beleza do cosmos, e da nossa humilde participação nessa grandiosa dança. Ele sabia que, naquela noite, seu olhar para o céu teria uma nova profundidade, guiado pelas palavras sábias de Clarín.
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