domingo, 18 de maio de 2025

A história de Camboriú é mais antiga do que a maioria das pessoas imagina, com mais de 5.000 anos de história, quando os primeiros colonizadores portugueses chegaram, a área já era habitada por diversos povos indígenas, como os homens do sambaqui, Tupi-Guaranis, Carijós e Kaingangs. Quando os primeiros homens brancos e de origem portuguesa chegaram aqui, estas terras já eram habitadas, portanto, não foram descobertas, somente colonizadas. 

Sabemos que aqui foi o lar de homens do sambaqui, como comprovam os 165 sepultamentos encontrados no sítio arqueológico escavado pelo Padre João Alfredo Rohr e sua equipe na década de 1970, na praia de Laranjeiras. Também há indícios de Tupi-Guaranis, Carijós e Kaingangs na região, pois tiveram uma presença marcante em todo o Vale do Itajaí, além dos Xokleng no Alto Vale.

Usamos o verbo "ter" no passado, pois suas populações foram reduzidas drasticamente a partir do século XIX, devido aos embates com os europeus que para cá migraram, pelas políticas de branqueamento impostas pelo Estado e pela contração de doenças. Apesar da invisibilidade, essas populações ainda existem, resistem e lutam pela sobrevivência.


Região nomeada pelos indígenas


A presença dessas populações na região é tão latente, que começa pelo nome da cidade e também os das cidades vizinhas (Itapema e Itajaí), todos com origem indígena. Lino João Dell'Antonio, no livro "Nomes Indígenas dos Municípios Catarinenses: significados e origem", traz uma análise detalhada da origem e significado do topônimo. Ele afirma que há diversas interpretações para essa denominação, como rio que camba, em alusão ao rio. Ou seio grande em cima do morro, em alusão ao formato dos morros que cercam a região. Entretanto, para o autor: "Camboriú é termo indígena e significa rio com camboas, em alusão às tapagens que se faziam para capturar peixes nas vazantes das marés''

Outra hipótese é a de que a origem indígena inspira-se no relevo da Pedra Branca, morro que lembra um seio de mulher e que é visível de diversos pontos do município. De acordo com Patrianova, em seu Pequeno livro, Cambu, significa mamar e Ryry, que é igual a Ruru e que é igual a Riú, significam recipiente de mamar, ou seja, seio.

Início da colonização

A colonização de origem europeia começou nas redondezas de Camboriú com a distribuição das sesmarias entre 1822 e 1823, para sete homens que passaram a habitar a área com suas famílias. Seus nomes eram: José Ignácio Borges, Balthazar Pinto Corrêa, Bernardo Dias da Costa, Manoel Oliveira Gomes, Aurélio Coelho da Rocha, Felix José da Silva e Victorino José Tavares.

Ao longo do século XIX, o Arraial do Bonsucesso, como era chamado, cresceu e virou uma Freguesia, em 26 de abril de 1849. Décadas depois, tornou-se o município de Camboriú, no dia 15 de janeiro de 1895.

De acordo com o relatório do Presidente da Província, João José Coutinho, sobre a população da Província de Santa Catarina, em 1855, os dados sobre "Cambriú", na Freguesia de Porto Bello eram os seguintes:

Livres

Brasileiros: Homens - 838 / Mulheres - 889

Estrangeiros: Homens - 11 / Mulheres - 1

Escravos

Homens: 130

Mulheres: 95

Total: 1964

Observando estes números podemos fazer uma análise crítica ao documento e pontuar que, apesar de a historiografia tradicional dar todo o crédito do sucesso das sesmarias para os sete primeiros homens, eles não prosperaram sozinhos. Ao considerar a quantidade de mulheres brancas, que eram maioria, e também o número de pessoas escravizadas, fica evidente a sua participação no processo de desenvolvimento da sociedade local, tanto como força trabalhadora, quanto como agentes que contribuíram para a formação da cultura e identidade local.


Sambaqui das 'Laranjeiras'


"Em Balneário Camboriú, os primeiros habitantes foram os índios que moravam na praia de Laranjeiras. Este sítio arqueológico foi prospectado pelo Padre Dom João Alfredo Rohr. Pelas características da Praia de Laranjeiras, ela é protegida do vento sul. Na década de 1970, a Prefeitura solicitou uma verba para construir uma estrada que ligasse a Praia de Laranjeiras ao município. Porém, antes disso, já houve achado de esqueletos. Mas, como iam mexer nesse patrimônio todo, foi chamado o arqueólogo de fama nacional e internacional, o padre Dom João Alfredo Rohr. Ele fez a prospecção e constatou que toda a praia era um sítio arqueológico. Isso foi feito através do Carbono 14, onde se descobriu que a ocupação mais antiga era de 4.900 anos."- conta Gert Hering, fundador do museu Cyro Greyvard, em entrevista ao Projeto Memória.

Os vestígios humanos mais antigos catalogados remontam 5.000 anos de ocupação; sempre ligados, diretamente, à cultura dos Sambaquis.

Na década de 70, um grande sítio arqueológico foi identificado na Praia de Laranjeiras. Sob o comando do Padre João Alfredo Rohr, as escavações do Sítio Arqueológico das Laranjeiras foram realizadas entre 1977 e 1979; resultando na descoberta de 165 sepultamentos, incluindo crianças.

Algumas dessas ossadas encontram-se expostas no Museu do Parque Ciro Gevaerd. Dentre os objetos encontrados, destaca-se a presença de duas índias grávidas, cujos fetos são perfeitamente reconhecíveis, em seus ventres. Estudiosos nos dão conta de que são dois raros exemplares de apenas quatro existentes no mundo.


Fontes:


MADU GASPAR. Sambaqui - Arqueologia do Litoral Brasileiro.

JAMES DADAM - Uma cidade na Memória.

ISAQUE DE BORBA CORREA. História de Duas Cidades: Camboriú e Balneário Camboriú

DO ARRAIAL DO BONSUCESSO A BALNEÁRIO CAMBORIÚ, por Mariana Schlickmann (Fundação Cultural de Balneário Camboriú)

Povos indígenas em Santa Catarina, por Clovis Antonio Brighenti

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57656687






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