Edgar, agora percorrendo os caminhos sinuosos e a vegetação densa do interior de Santa Catarina, mergulhou na fascinante e complexa história de João Maria. Diferente da trajetória singular de Madre Paulina, a figura de João Maria se revelou multifacetada, envolta em lendas e na memória popular de três monges distintos que percorreram o sul do Brasil entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX.
Em suas andanças por pequenas comunidades e conversas com os mais antigos moradores, Edgar ouviu relatos carregados de misticismo sobre um monge andarilho, curandeiro e profeta. As histórias se misturavam, atribuindo a um só nome feitos e características de diferentes homens: João Maria De Agostini, o eremita italiano; João Maria de Jesus, o peregrino do planalto catarinense; e José Maria, o monge envolvido na Guerra do Contestado.
Edgar visitou grutas e locais apontados como morada de João Maria, sentindo a aura de sacralidade que a fé popular lhes conferiu. Observou cruzes rústicas fincadas em morros, fontes de água tidas como milagrosas e capelinhas erguidas em sua memória. A paisagem de Santa Catarina, com seus pinheirais imponentes e a neblina matinal cobrindo os vales, parecia ecoar o mistério que envolve a figura de João Maria, um santo popular não canonizado, mas profundamente enraizado na alma catarinense.
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