sexta-feira, 2 de outubro de 2026

IV

Entre promessas vãs e trombetas de glória,
Ergue-se a cena final deste humano pleito.
Será a aurora a coroar a história,
Ou novo infortúnio guardado no peito?

A dúvida reina, soberana e severa,
Nos corredores onde o povo caminha.
Quem herdará o trono da nova era
Quando a noite tombar e a sorte for dita?

Há quem busque no vento uma profecia,
Nas vozes da praça ou nos astros do céu;
Mas o fado é guardado em secreta magia,
Atrás da cortina que oculta o véu.

Que soem os sinos ao fechar do pano,
Pois o julgamento não aceita perdão:
Amanhã saberemos se o grande soberano
Carrega a virtude ou a própria ilusão.

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