Capítulo XXVIII: Vinhedos na Tela: A Ronda em Videira e o Sonho de Coppola
II
A viatura da Polícia Militar serpenteava pelas estradas vicinais de Videira, em meio a extensos parreirais que começavam a exibir os primeiros cachos da nova safra. O Sargento Cláudio, natural da região, dirigia com a familiaridade de quem conhece cada curva e cada produtor local, enquanto o Soldado Júnior, recém-transferido para a cidade, admirava a paisagem verdejante sob o sol da tarde.
"Bonito aqui, Sargento", comentou Júnior, observando os vinhedos que se estendiam pelas colinas. "Essa tradição da uva é forte por aqui, né?"
Cláudio assentiu, com um sorriso orgulhoso. "Muito forte, Júnior. Videira é um dos principais polos vitivinícolas de Santa Catarina. Temos muitas famílias que vivem da produção de uva e vinho, com uma qualidade que vem crescendo a cada ano."
Um silêncio momentâneo preencheu a viatura, quebrando apenas pelo som do motor e pelo canto distante de um pássaro.
"Sargento", Júnior retomou a conversa, com uma ponta de curiosidade. "O senhor ouviu falar daquela história do cineasta Coppola querendo morar em Santa Catarina?"
Cláudio soltou uma risada breve. "Ouvi sim, Júnior. Chegou aos nossos ouvidos essa 'emergência cultural' do pessoal lá da costa. Uma figura importante como ele se interessar pelo nosso estado seria algo e tanto."
"E pelo que eu li", continuou Júnior, "ele tem um interesse grande por vinícolas, né? Parece que ele financia alguns dos filmes dele com a produção própria de vinho."
"Exatamente", confirmou Cláudio. "Ele tem vinhedos na Itália e nos Estados Unidos, se não me engano. Se ele realmente vier para Santa Catarina e se interessar pela nossa produção de uva... as possibilidades seriam enormes."
Júnior olhou para os parreirais ao redor, com um novo olhar. "Imagine, Sargento, ele filmando aqui em Videira, no meio dos vinhedos. As cores das folhas mudando com as estações, a época da colheita, as cantinas... seria um cenário bem diferente do litoral ou da serra."
"Com certeza", concordou Cláudio. "E a nossa tradição da vinicultura poderia ser um tema interessante para um filme. A história das famílias que vieram da Europa e trouxeram essa cultura, o trabalho duro nos parreirais, a paixão pela produção de um bom vinho..."
"E para a economia local seria um impulso enorme", ponderou Júnior. "A visibilidade que um cineasta como Coppola traria para a nossa região vinícola seria algo sem precedentes. Poderia atrair turistas, investimentos..."
"Sem falar nos próprios vinicultores", acrescentou Cláudio. "Se ele se interessasse em investir em alguma vinícola local ou em usar a produção daqui para financiar seus filmes, seria uma oportunidade única para o nosso setor."
A viatura passou por uma pequena cantina familiar, com a placa indicando a produção artesanal de vinhos. Júnior observou com atenção, imaginando as cenas que poderiam ser filmadas ali.
"Santa Catarina tem um potencial enorme em diversas áreas, Sargento", comentou Júnior, com um tom reflexivo. "O litoral, a serra, o interior com a agricultura forte como aqui em Videira... cada região tem sua beleza e suas histórias para contar."
"É verdade, Júnior", concordou Cláudio. "E se essa vinda do Coppola realmente se concretizar, talvez ele ajude a mostrar para o mundo essa diversidade e esse potencial que a gente tem aqui no nosso estado."
A ronda prosseguiu pelos vinhedos de Videira, enquanto o sol da tarde lançava longas sombras sobre as fileiras de parreiras. Na mente dos dois policiais, a imagem de Santa Catarina como um set a céu aberto ganhava novas cores e novos sabores, impulsionada pela possibilidade da chegada de um mestre do cinema e pela rica tradição da uva que florescia naquela parte do estado. Quem sabe os vinhedos de Videira não se tornariam, em breve, um cenário inspirador para as próximas obras de Francis Ford Coppola? A semente da esperança, plantada à beira-mar, começava a germinar também nas terras férteis do interior catarinense.
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