As Almas Penadas da Noite: He Dantés e os "Sobrenaturais" à Brasileira
Dantés então direcionou a atenção para a habilidade de Verissimo em criar personagens memoráveis, mesmo que beirando o grotesco, e em usar o elemento "sobrenatural" de forma alegórica.
"Em 'Incidente em Antares'," lembrou Dantés, "os mortos retornam para expor as verdades ocultas da cidade. Nossos vampiros, seres inerentemente 'sobrenaturais', podem ser igualmente reveladores das verdades sombrias de nossa própria sociedade. Seus vícios e suas obsessões, amplificados pela imortalidade, podem se tornar caricaturas grotescas dos nossos."
A discussão se concentrou na criação de personagens vampíricos com manias e idiossincrasias exageradas, refletindo os diferentes grupos políticos que haviam sido definidos. O ancião conservador obcecado com a pureza do sangue e a tradição arcaica, o jovem progressista com sua fé ingênua na "civilização", o libertário egoísta que se recusa a seguir qualquer regra, o coexistencialista patético em suas tentativas de se aproximar dos humanos, e o fundamentalista fanático com sua visão apocalíptica da noite.
Sofia começou a esboçar perfis de personagens com vícios hilários: um vampiro viciado em colecionar chapéus de diferentes épocas, outro que passava séculos tentando escrever o romance "definitivo" sobre a não-morte, um terceiro que tinha um medo irracional de alho sintético.
A ideia de usar a própria natureza vampírica como uma fonte de humor negro surgiu. A dificuldade de se disfarçar no mundo moderno, os problemas logísticos de se alimentar sem chamar a atenção, as gafes sociais cometidas por vampiros com séculos de atraso cultural.
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