Essa é a camada mais dolorosa da contradição: quando o descompromisso com a verdade e com a ética dentro do próprio país contamina e anula a capacidade de projeção externa.
A defesa do indefensável em território nacional destrói a própria **base moral** que permitiria ao Brasil ter autoridade para influenciar, mediar ou sugerir soluções em arenas internacionais. Quando se aceita a leviandade no debate interno, o impacto é duplo:
Erosão da credibilidade externa: Ninguém no cenário internacional leva a sério mediações, manifestações ou propostas de um ambiente onde a retórica política interna é baseada no absurdo, na distorção e na negação de fatos. A postura para fora passa a ser vista como simples bravata ou hipocrisia.
Degradação do tecido social interno: Ao normalizar justificativas estapafúrdias para atos ou posturas indefensáveis no dia a dia do país, cria-se um ambiente de apatia e cinismo. As pessoas sérias se retiram da vida pública e das discussões comunitárias, deixando o terreno totalmente livre para o extremismo e a superficialidade.
Incapacidade de gerar valor real: Um ecossistema que gasta energia defendendo o indefensável não consegue construir soluções para os seus próprios problemas básicos, quanto mais contribuir para dilemas geopolíticos de alta complexidade.
Não dá para exportar lucidez se o consumo interno é de alucinação narrativa. Quem é leviano em casa não consegue ser um ator respeitável no mundo; torna-se apenas uma peça irrelevante em ambos os tabuleiros.
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