Capítulo III
A Urgência das Letras: Um Plano para Florescer a Literatura Local em Balneário Camboriú
O sol da tarde em Balneário Camboriú, outrora testemunha da melancolia de He Dantés pela ausência de um cinema municipal, agora iluminava seus planos meticulosos para outro silêncio que o afligia: o da voz muitas vezes inaudível dos escritores locais. Para Dantés, a "eterna justiça para a Arte" não se restringia às telas e palcos; ecoava também nas páginas em branco que aguardavam a tinta dos talentos da terra.
Com a mesma tenacidade que o impulsionara na saga pelo cinema, Dantés mergulhou no universo da literatura local. Observou a riqueza de narrativas, a diversidade de estilos e a paixão dos autores, muitas vezes lutando contra a maré da invisibilidade e da falta de oportunidades. A ausência de políticas públicas sólidas para a literatura em uma cidade com a efervescência cultural de Balneário Camboriú era, para ele, uma nota dissonante que precisava ser urgentemente harmonizada.
Sua mente, um caldeirão de soluções inovadoras, concebeu um plano multifacetado para impulsionar a literatura local, sem onerar os cofres públicos, mas sim somando forças através de parcerias inteligentes.
A Semente do Fundo Municipal de Literatura havia sido plantada.
A primeira peça do seu projeto ambicioso era a criação de um Fundo Municipal de Literatura. Para alimentá-lo, Dantés idealizou um modelo de parcerias através de naming rights com editoras. Ele visualizou editoras de renome nacional e até internacional investindo no direito de ter seus nomes associados a publicações específicas do município ou a projetos literários, em troca de visibilidade e fortalecimento de marca. Essa receita, sublocada em contas específicas, não pesaria no orçamento público, mas criaria uma fonte de recursos dedicada exclusivamente ao desenvolvimento literário local.
O florescimento de Selos Literários despontava no horizonte. Com o Fundo Municipal de Literatura como base, Dantés propôs a criação de dois selos literários distintos.
O Selo Literário Municipal, destinado à publicação de obras de escritores locais, pesquisas acadêmicas relevantes para o município e outros trabalhos literários de interesse público. Este selo ofereceria suporte editorial, design, impressão e distribuição, democratizando o acesso à publicação para os talentos da cidade.
E o Selo ALBC (Academia de Letras de Balneário Camboriú), uma homenagem aos "imortais" da literatura local, como o membro fundador Eduardo Torto, cuja história e obras Dantés valorizava. Este selo visaria incentivar a compra, publicações e reedições de livros dos acadêmicos, preservando as raízes literárias da cidade e garantindo que suas contribuições continuassem a inspirar novas gerações. Dantés recordava com apreço o dia da inauguração da ALBC, reconhecendo seu valor cultural e acreditando que suas propostas se alinhavam aos anseios da cena artística local.
Eram políticas públicas sólidas para a Literatura.
Para garantir a sustentabilidade dessas iniciativas, Dantés elaborou modelos detalhados de projetos de lei, editais, regimentos, estatutos e contratos para cada ação. Ele previu mecanismos transparentes de seleção de obras, critérios de financiamento, diretrizes para as parcerias com editoras e a gestão democrática do Fundo Municipal de Literatura.
O retorno da Biblioteca Volante e a Biblioteca do Bairro das Nações estavam em suas metas.
A visão de Dantés para a literatura em Balneário Camboriú ia além da publicação. Ele propôs um modelo para o retorno do nostálgico programa Biblioteca Volante. Recordou com pesar o período em que um ônibus adaptado levava livros a diversos pontos da cidade, tornando a leitura acessível a todos. Embora o veículo original tivesse sido cedido à Secretaria de Educação, Dantés vislumbrava a possibilidade de buscar novas parcerias com a iniciativa privada para reativar o programa, talvez com um novo veículo e um acervo renovado.
Além disso, atento às necessidades de diferentes bairros, Dantés apresentou um projeto completo para a construção de uma biblioteca própria para o Bairro das Nações. Forneceu um modelo detalhado de funcionamento da biblioteca e de seus setores, abrangendo desde o acervo e a área de leitura até espaços para oficinas, eventos literários e tecnologia. Crucialmente, incluiu em seus modelos de contratos, regimentos e editais a possibilidade de parceria com a iniciativa privada para o desenvolvimento de cada um desses setores, incluindo a construção da própria biblioteca, seguindo a mesma filosofia de não onerar diretamente a população.
A urgência da decisão e a liderança necessária era latente.
Munido de seus modelos e de uma paixão contagiante pelas letras, He Dantés apresentou suas propostas aos gestores municipais. Disponibilizou o conteúdo em redes públicas. Argumentou que investir na literatura local era investir na identidade cultural da cidade, no desenvolvimento do pensamento crítico, na formação de novos talentos e na construção de um futuro mais rico e plural.
Com a experiência de observar a hesitação em unificar os próprios beneficiados em prol de políticas públicas em outras áreas – e recordando os 22 anos da ALBC sem iniciativas concretas nesse sentido – Dantés enfatizou a importância da tomada de decisão proativa por parte dos gestores. Ele acreditava que a liderança do poder público era essencial para catalisar o desenvolvimento dos segmentos artísticos e culturais, rompendo com a inércia e pavimentando o caminho para um futuro mais promissor para a literatura em Balneário Camboriú.
He Dantés aguardava, com a esperança renovada, que a semente de suas ideias encontrasse solo fértil na sensibilidade e na visão dos gestores. Acreditava que a paixão pelas letras, aliada à viabilidade de seus modelos, poderia iluminar a cena literária local, permitindo que as vozes dos escritores de Balneário Camboriú ecoassem com força e beleza, enriquecendo a vida de seus moradores e visitantes. Sua saga pela "eterna justiça para a Arte" ganhava um novo e promissor capítulo nas páginas da literatura.
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