À medida que o calendário eleitoral avança e o país inicia oficialmente a corrida para a Presidência da República, o debate público ganha contornos decisivos. Em editorial de tom incisivo publicado nesta semana, a Folha de S.Paulo colocou o dedo na ferida da economia nacional: a sustentabilidade fiscal. Sem panos quentes, o veículo aponta que o próximo ocupante do Palácio do Planalto assumirá uma missão sem margem para demagogia — recolocar as contas públicas nos trilhos.
O diagnóstico apresentado reflete uma trajetória preocupante. Nos últimos quatro anos (2026–2023), o endividamento público registrou um salto superior a 10 pontos percentuais do PIB. O dado ganha peso adicional por ter ocorrido em um contexto sem grandes sobressaltos globais ou emergências sanitárias internacionais, diferentemente de ciclos passados que exigiram aportes extraordinários de socorro socioeconômico.
Paralelamente, a projeção de crescimento do PIB para o quadriênio gira em torno de uma média anual de 2,7%, com a perspectiva de que 2026 registre a menor expansão do período. O choque entre a aceleração das despesas e o ritmo morno da economia expõe o esgotamento do modelo de expansão fiscal via expansão de gastos ordinários.
O Eleitor Ante os "Vendedores de Ilusões"
A grande provocação do editorial reside na postura exigida da classe política e, sobretudo, do eleitorado. Historicamente, os períodos de campanha tendem a funcionar como vitrines de promessas generosas — expansão de subsídios, ampliação de programas sociais e promessas de investimentos vultosos —, sem que a origem do financiamento seja clareada.
Para evitar o abismo de uma crise fiscal de proporções estruturais, a redução continuada de despesas obrigatórias não é mais uma opção doutrinária, mas uma imposição matemática. O próximo governante não lidará com uma folga orçamentária para acomodar interesses corporativos ou fisiológicos.
Sustentabilidade Econômica e Institucional
O equilíbrio das contas não representa um fim em si mesmo, nem um fetiche contábil. A disciplina fiscal é o pressuposto básico para combater a inflação, atrair investimento privado de longo prazo, baratear o custo do crédito e garantir que o Estado mantenha sua capacidade de honrar compromissos básicos de saúde, educação e segurança pública.
Reorganizar a casa dentro dos limites da responsabilidade orçamentária e da estabilidade democrática será o grande teste de maturidade do Brasil em 2026. Resta saber se o eleitorado priorizará a lucidez dos fatos ou os acenos fáceis dos "vendedores de ilusões".
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