Aqui estão os detalhes técnicos de cada ponto, conforme reportado por fontes diplomáticas e agências internacionais:
1. Futuro do Enriquecimento (Limite de 1,5%)
Este é o ponto mais sensível. Atualmente, o Irã enriquece urânio a 60% (próximo ao nível de armas).
A Proposta: O Irã aceitaria uma pausa total no enriquecimento de 3 a 5 anos.
Uso Médico: Durante esse período, operaria apenas o Reator de Pesquisa de Teerã com um limite estrito de 1,5% de enriquecimento, destinado exclusivamente à produção de isótopos medicinais para tratamento de câncer.
Consórcio Regional: Após o período de pausa, o enriquecimento seria gerido por um consórcio internacional/regional para garantir que o combustível nunca seja desviado para fins militares.
2. Verificação Total da AIEA
O governo Trump exige o que chama de "inspeções em qualquer lugar, a qualquer hora".
Transparência: O Irã concordaria em implementar o Protocolo Adicional, permitindo acesso imediato da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a locais suspeitos, inclusive bases militares se houver indícios de atividade nuclear.
Diluição: O estoque atual de urânio altamente enriquecido (cerca de 450 kg) não seria enviado aos EUA (como Trump queria), mas sim diluído no próprio Irã sob supervisão constante de câmeras e inspetores.
3. Terminação de Sanções
Este é o "oxigênio" que o Irã exige para não abandonar a mesa.
Gatilhos de Alívio: Diferente de 2015, as sanções não seriam levantadas de uma vez. O rascunho prevê a liberação de setores como aviação civil e exportação de minérios logo após a primeira fase de diluição do urânio.
Petróleo e Bancos: O acesso ao sistema SWIFT e as vendas plenas de petróleo seriam liberados apenas após a AIEA certificar que o Irã cumpriu os primeiros 12 meses do acordo.
4. Cooperação Econômica
O Irã está tentando "seduzir" a veia empresarial de Trump oferecendo negócios lucrativos:
Investimento Estrangeiro: O rascunho prevê a criação de zonas econômicas especiais onde empresas americanas (como Boeing e empresas de tecnologia) teriam prioridade em contratos de modernização da infraestrutura iraniana.
Energia Renovável: Projetos conjuntos para transição energética, financiados por fundos internacionais, caso o Irã mantenha o programa nuclear estritamente civil.
5. Coexistência Pacífica (Pacto de Não-Agressão)
Pela primeira vez em décadas, discute-se um termo que vai além do nuclear.
Segurança Regional: O princípio sugere um compromisso mútuo de não-interferência e a redução de retóricas de "mudança de regime" por parte dos EUA, em troca da redução do apoio iraniano a milícias regionais (proxies).
Canal Direto: A criação de uma linha de comunicação militar direta (hotline) para evitar incidentes acidentais no Golfo Pérsico, onde a frota dos EUA está massiva neste momento.
6. Definição de "Necessidades Práticas"
Este princípio visa amarrar o tamanho do programa nuclear ao que o Irã realmente precisa para gerar energia.
Teto de Capacidade: O Irã deve provar tecnicamente quanto urânio precisa para suas usinas. Qualquer excedente acima dessa "necessidade prática" seria proibido de ser estocado, fechando de vez o caminho para a construção de uma bomba.
O que acontece agora?
As equipes técnicas de ambos os países viajam na próxima segunda-feira para Viena. Lá, especialistas da AIEA ajudarão a transformar esses seis princípios em um texto jurídico e técnico final.
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