sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Rascunho diplomático conhecido como os "Seis Princípios Norteadores"

As negociações de Genebra, que concluíram sua terceira rodada ontem (26 de fevereiro de 2026), avançaram sobre um rascunho diplomático conhecido como os "Seis Princípios Norteadores". Esse documento serve como a espinha dorsal para um possível acordo que evite uma guerra iminente.

Aqui estão os detalhes técnicos de cada ponto, conforme reportado por fontes diplomáticas e agências internacionais:

1. Futuro do Enriquecimento (Limite de 1,5%)

Este é o ponto mais sensível. Atualmente, o Irã enriquece urânio a 60% (próximo ao nível de armas).

A Proposta: O Irã aceitaria uma pausa total no enriquecimento de 3 a 5 anos.

Uso Médico: Durante esse período, operaria apenas o Reator de Pesquisa de Teerã com um limite estrito de 1,5% de enriquecimento, destinado exclusivamente à produção de isótopos medicinais para tratamento de câncer.

Consórcio Regional: Após o período de pausa, o enriquecimento seria gerido por um consórcio internacional/regional para garantir que o combustível nunca seja desviado para fins militares.

2. Verificação Total da AIEA

O governo Trump exige o que chama de "inspeções em qualquer lugar, a qualquer hora".
 
Transparência: O Irã concordaria em implementar o Protocolo Adicional, permitindo acesso imediato da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a locais suspeitos, inclusive bases militares se houver indícios de atividade nuclear.

Diluição: O estoque atual de urânio altamente enriquecido (cerca de 450 kg) não seria enviado aos EUA (como Trump queria), mas sim diluído no próprio Irã sob supervisão constante de câmeras e inspetores.

3. Terminação de Sanções

Este é o "oxigênio" que o Irã exige para não abandonar a mesa.

Gatilhos de Alívio: Diferente de 2015, as sanções não seriam levantadas de uma vez. O rascunho prevê a liberação de setores como aviação civil e exportação de minérios logo após a primeira fase de diluição do urânio.

Petróleo e Bancos: O acesso ao sistema SWIFT e as vendas plenas de petróleo seriam liberados apenas após a AIEA certificar que o Irã cumpriu os primeiros 12 meses do acordo.

4. Cooperação Econômica

O Irã está tentando "seduzir" a veia empresarial de Trump oferecendo negócios lucrativos:

Investimento Estrangeiro: O rascunho prevê a criação de zonas econômicas especiais onde empresas americanas (como Boeing e empresas de tecnologia) teriam prioridade em contratos de modernização da infraestrutura iraniana.

Energia Renovável: Projetos conjuntos para transição energética, financiados por fundos internacionais, caso o Irã mantenha o programa nuclear estritamente civil.

5. Coexistência Pacífica (Pacto de Não-Agressão)

Pela primeira vez em décadas, discute-se um termo que vai além do nuclear.

Segurança Regional: O princípio sugere um compromisso mútuo de não-interferência e a redução de retóricas de "mudança de regime" por parte dos EUA, em troca da redução do apoio iraniano a milícias regionais (proxies).

Canal Direto: A criação de uma linha de comunicação militar direta (hotline) para evitar incidentes acidentais no Golfo Pérsico, onde a frota dos EUA está massiva neste momento.

6. Definição de "Necessidades Práticas"

Este princípio visa amarrar o tamanho do programa nuclear ao que o Irã realmente precisa para gerar energia.

Teto de Capacidade: O Irã deve provar tecnicamente quanto urânio precisa para suas usinas. Qualquer excedente acima dessa "necessidade prática" seria proibido de ser estocado, fechando de vez o caminho para a construção de uma bomba.

O que acontece agora?

As equipes técnicas de ambos os países viajam na próxima segunda-feira para Viena. Lá, especialistas da AIEA ajudarão a transformar esses seis princípios em um texto jurídico e técnico final.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.