sábado, 28 de fevereiro de 2026

Conversa telefônica entre Sergey Lavrov e Abbas Araghchi neste 28 de fevereiro

A conversa telefônica entre Sergey Lavrov e Abbas Araghchi neste 28 de fevereiro de 2026 ocorreu em um cenário de extrema gravidade, logo após os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel (operação batizada por Israel como "Rugido do Leão").

Posicionamento de Moscou e o teor do diálogo

1. Condenação Direta e Termos Diplomáticos

Lavrov utilizou uma linguagem contundente, classificando a ação militar como um "ataque armado não provocado" e uma violação flagrante das normas do direito internacional e da soberania iraniana. A Rússia enfatizou que o bombardeio de instalações nucleares que estão sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) é "inaceitável" e perigoso para a segurança global.

2. O Papel da Rússia como Mediadora

A oferta de mediação mencionada por Lavrov não é apenas retórica, mas fundamentada em canais já estabelecidos:

Apoio no Conselho de Segurança da ONU: Lavrov confirmou que a Rússia usará seu assento permanente no Conselho de Segurança para apoiar o pedido do Irã de uma reunião de emergência para condenar a agressão.

Proteção do Processo Diplomático: Antes do ataque, negociações indiretas entre Teerã e Washington (via mediação de Omã) estavam ocorrendo em Genebra e haviam acabado de concluir uma rodada na última quinta-feira. Lavrov reiterou que o caminho deve ser o retorno imediato a essas soluções políticas baseadas no "respeito aos direitos legítimos do Irã".

Equilíbrio de Interesses: Moscou propôs facilitar o diálogo com foco em um "balanço de interesses", tentando evitar que o Irã responda de forma que leve a uma guerra regional total, ao mesmo tempo que valida as preocupações de segurança de Teerã.

3. A Resposta de Abbas Araghchi

O chanceler iraniano informou Lavrov sobre:

As medidas que a liderança iraniana já tomou para repelir o que chamaram de "agressão sino-americana-israelense" (referindo-se ao apoio logístico e político dos EUA).

A intenção do Irã de não recuar perante ataques a infraestruturas críticas, mas mantendo a coordenação diplomática com aliados estratégicos como a Rússia e a China.

4. Contexto da Aliança Estratégica

Essa conversa reflete a recente aproximação entre os dois países. No final de 2025 e início de 2026, Rússia e Irã consolidaram um Tratado de Parceria Estratégica Abrangente de 20 anos e um programa de cooperação entre seus Ministérios das Relações Exteriores para o período 2026-2028. Para Moscou, a desestabilização do Irã é vista como uma ameaça direta aos seus próprios interesses no Cáucaso e no Mar Cáspio.

Moscou está sinalizando ao Ocidente que o Irã não está isolado diplomaticamente e que qualquer tentativa de "mudança de regime" ou destruição do programa nuclear iraniano terá a oposição ativa da diplomacia russa nos fóruns internacionais.

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