BC Filme: O Bilhão Invisível e a Urgência da Segurança Jurídica
Balneário Camboriú, 7 de março de 2026
Enquanto os holofotes da política local se voltam para a retotalização de votos que o TRE-SC promove nesta segunda-feira, um gigante adormecido observa o cenário: a Economia Criativa. Balneário Camboriú não é apenas uma cidade de prédios altos; é um estúdio a céu aberto com um potencial de arrecadação que ainda não foi plenamente decodificado pelo nosso Legislativo.
Dá bilhão? | O Cenário de 1 bilhão de Reais
O mercado audiovisual global movimenta bilhões, e a "Dubai Brasileira" possui o que os produtores chamam de Production Value (valor de produção) imediato. Nossa verticalidade simula metrópoles globais sem o custo logístico de uma viagem internacional. No entanto, o hiato administrativo deste final de semana revela nossa maior fraqueza: a fragilidade institucional.
Atualmente, a BC Filme (nossa Film Commission) sobrevive escorada em um decreto. Para o investidor local, pode parecer suficiente; para gigantes como Netflix, Disney ou Globo, é um sinal de alerta. Decretos são voláteis. Grandes produções exigem a solidez de uma Lei de Criação. Sem lei, não há segurança jurídica; sem segurança, o investimento estrangeiro desvia a rota para cidades que transformaram o audiovisual em política de Estado, e não de governo.
Naming Rights: O Novo Financiamento Público
A relevância de atrair esses players vai muito além da visibilidade. O potencial reside no modelo de Naming Rights (cessão de direito de nome). Imagine o custo de manutenção de um Molhe da Barra Sul, de um Teatro Municipal ou dos novos parques da orla sendo integralmente assumidos por uma Disney ou Netflix em troca da assinatura do equipamento.
Potencial de Arrecadação: O Naming Rights permite aumentar a receita pública sem pesar um único centavo no bolso do morador. É capital privado financiando o bem-estar social.
Possibilidades Reais: Um "Espaço Kids Disney" no novo Parque da Orla ou um "Auditório Netflix" no Centro de Eventos não são sonhos distantes; são negócios que acontecem globalmente onde existe um Legislativo técnico e articulado.
A Missão de Marcelo Freixo e a Ponte com BC
Março de 2026 marca o lançamento da Film Commission Nacional pela Embratur. Marcelo Freixo tem a missão de vender o Brasil como destino de filmagens. Balneário Camboriú deveria ser a "joia da coroa" desse projeto. Mas, para isso, precisamos parar de tratar a Film Commission como um apêndice burocrático e começar a tratá-la como um ativo financeiro.
O hiato deste final de semana, que pode resultar na entrada de novos nomes como Aristo Pereira na Câmara, deve ser o marco dessa virada. A retotalização de votos não pode ser apenas uma troca de CPFs; deve ser a substituição da negligência funcional pela entrega institucional.
Conclusão: Do Portão para o Mundo
Se o reconhecimento no "portão de casa" é o que legitima o político, nesta semana que antecede o Oscar, neste contexto como ex designado da BC Filme e ex-coordenador de Artes, para o cinema e audiovisual tenho certeza que a capacidade de atrair grandes estúdios e gerar receita criativa o pereniza. A matemática de segunda-feira corrigirá o quociente eleitoral, mas cabe aos novos representantes corrigir o quociente de inovação da nossa cidade.
Balneário Camboriú está pronta para o close-up. Resta saber se nossa Câmara terá a coragem de assinar a lei que garante o espetáculo.
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