Máscara Gélédé. Fim do séc. XIX ou início do XX.
Origem: Yorubá. Nigéria e Benim.
Gélédéé – sociedade secreta feminina dos povos de língua Yorubá.
Museu Nacional, Rio de Janeiro
Museu Nacional, Rio de Janeiro
O núcleo de
etnologia africana abarcava, na maior parte, peças produzidas no século
XIX pelos povos africanos da costa ocidental, englobando tanto etnias que
não tiveram contato com o Brasil quanto outras historicamente relacionadas
à diáspora africana nesse país.
Incluía artefatos de uso cotidiano (adereços e trançados), objetos rituais
(máscaras e estatuetas), instrumentos musicais (flautas, chocalhos, tambores,
lamelofones), armas de caça e guerra, etc., ademais de peças que se destacavam
pelo valor histórico ou pelo contexto em que foram adquiridas — como o conjunto
de presentes ofertados ao príncipe-regente Dom João VI pelo
rei Adandozan, do antigo Reino do Daomé (atual Benim), entre 1810 e 1811, que formou parte da coleção
inaugural do Museu Nacional. A peça central do conjunto era o trono de Daomé, datado provavelmente da passagem
do século XVIIIpara o XIX, uma réplica do assento real de Kpengla, avô de Adandozan. Completavam o conjunto de presentes uma
bandeira de guerra de Daomé (mostrando as vitórias do rei Adandozan nas guerras
contra seus inimigos), o par de sandálias reais, bolsas de coro, uma bengala de
passeio, abanos reais e uma placa de tabaco.
Ainda no contexto de artefatos de origem africana, o museu
conservava máscaras rituais de sociedades secretas dos Iorubás e Ecóis, exemplares da
cestaria de Angola e Madagascar, bastões cerimoniais dos Côkwe,
objetos musicais adquiridos junto ao rei de Uganda, estatuetas religiosas
antropomorfas e zoomorfas, exemplares de alaka (tecidos
africanos feitos em tear e importados da costa ocidental para o Brasil).
Destaca-se, por fim, o conjunto doado ao Museu Nacional por Celenia Pires
Ferreira, missionária da Igreja Congregacional da cidade de Campina Grande, em
1936. A coleção era composta por objetos de uso doméstico e ritual, coletados
pela missionária durante sua estadia no Planalto Central de Angola entre 1929 e
1935.
O núcleo de
etnologia afro-brasileira documentava hábitos, crenças e técnicas de produção dos
descendentes dos povos africanos no Brasil, bem como o histórico de violência
da escravidão, a repressão religiosa e as formas de organização social das
comunidades negras no período pós-abolição. A religiosidade afro-brasileira era o aspecto mais
fartamente ilustrado no acervo. Grande parte dos objetos religiosos
encontravam-se originalmente nos espaços conhecidos como zungus ou
terreiros de candomblé, locais de culto dos inquices (Bantus), orixás (Iorubás)
e voduns (Jeje Mahi). Tais templos eram
constantemente invadidos e tinham seus objetos confiscados e levados para os
depósitos da polícia, como provas materiais da prática de rituais então
proibidos. Por iniciativa do ex-diretor do museu, Ladislau Neto, esses objetos passaram a ser transferidos para a
instituição, após o reconhecimento da importância histórica, sociológica e
etnológica de tal acervo.
Um segundo importante
conjunto de objetos no acervo de etnologia afro-abrasileira era proveniente da doação
feita por Heloísa Alberto Torres, antropóloga e ex-diretora do Museu Nacional.
Durante suas viagens à Bahia década de 1940, Heloísa adquiriu uma série de
objetos nas principais casas de candomblé da região do Recôncavo, além de
exemplares de artesanato, produção têxtil e da cultura popular, nomeadamente os
orixás esculpidos em madeira por Afonso de Santa Isabel e as esculturas em cedro com pinturas a óleo adquiridas
no Ateliê da Rua Taboão. O acervo ainda incluía peças feitas sob encomenda do
próprio Museu Nacional, para figurarem na Sala de Etnografia Regional
Brasileira, parte integrante da Exposição Permanente do Museu Nacional em 1949
(primeira mostra permanente de objetos e cultos afro-brasileiros, com o objetivo
de apresentar as diferenças regionais da cultura nacional), como as bonecas de
pano vestidas com trajes de orixás.
Povo Iorubá. Máscara da sociedade secreta feminina Gelede, s.d.
Trono do Reino
do Daomé (século XVIII/XIX), ofertado a D.
João VI pelo rei Adandozan
Boneca de pano com traje de orixá, feita para
Exposição de Etnologia Regional de 1949
Cultura afro-brasileira. Representações de
Xangô e Bayani, s.d.
"Banquinho
de igreja", assento para mulheres em casas de candomblé, s.d.







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