Aqui está um panorama de como essa relação financeira funcionava para alguns dos nomes mais conhecidos:
1. O Padrão dos Ateliês (Século XIX e Início do XX)
Na Paris da Belle Époque, onde o fumo era onipresente em pinturas de cafés e bordéis, existia uma tabela informal de preços.
Modelos Profissionais: Em meados de 1800, um modelo em Paris recebia cerca de 5 francos por uma sessão de seis horas (o que equivaleria a um dia de trabalho de um operário qualificado).
Adicionais: Posar fumando não costumava render um "adicional de periculosidade", mas o artista geralmente fornecia o tabaco. Para o modelo, era uma vantagem: ganhar para fumar enquanto descansava.
2. Vincent van Gogh: O Custo da Sobrevivência
Van Gogh tinha extrema dificuldade em pagar modelos, por isso pintava a si mesmo ou pessoas humildes.
Pobres e Camponeses: Em Arles ou Nuenen, ele costumava pagar com alguns trocados, comida ou o próprio tabaco.
Curiosidade: Em sua famosa obra Caveira com Cigarro Aceso (1886), não houve custo de modelo, já que ele usou um esqueleto do departamento de anatomia da academia de Antuérpia.
3. Henri de Toulouse-Lautrec e os Cabarés
Lautrec frequentava o submundo de Montmartre e pintava muitas mulheres fumando em bares.
Troca de Favores: Muitas vezes, o "pagamento" não era em dinheiro vivo, mas em bebidas, jantares ou entradas para shows. Para as artistas de cabaré que ele retratava, a própria fama gerada pelo quadro era vista como uma forma de compensação.
4. Pablo Picasso e o Período Modernista
No início do século XX, Picasso e seus contemporâneos já lidavam com modelos que exigiam pagamentos mais estruturados.
Fernande Olivier: Sua companheira e modelo frequente recebia o sustento da casa como pagamento.
Modelos de Rua: Picasso chegava a pagar cerca de 1 a 2 francos por hora no início da carreira (Bateau-Lavoir), valor que subiu exponencialmente conforme ele enriquecia.
5. Lucian Freud e o Século XX
Já numa era mais contemporânea, Freud era conhecido por sessões de pose exaustivas que duravam meses ou anos.
Pagamento por Hora: Ele pagava o valor de mercado para modelos profissionais, mas muitos de seus amigos posavam de graça ou por pequenas quantias simbólicas. O custo do fumo era irrelevante perto das centenas de horas que ele exigia de imobilidade.
Resumo de Valores Estimados (Ajustados)
Época | Artista Exemplo | Forma de Pagamento
1850-1900 | Impressionistas | 5 francos por dia (aprox. $20-$30 atuais).
1880-1890 | Van Gogh | Tabaco, pão ou poucos centavos.
1900-1920 | Picasso | 1 a 5 francos por hora, dependendo da fama.
1950-hoje | Modernistas | Salário mínimo local ou valor sindical de modelos.
Nota Histórica: Na maioria das vezes, o cigarro na pintura era um acessório de composição para indicar classe social, boemia ou introspecção. O custo do maço de cigarros era frequentemente maior do que o bônus (se é que havia um) dado ao modelo pelo ato de fumar em cena.
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