A história política do Brasil é marcada por uma herança persistente: a dificuldade de separar o patrimônio público da vontade privada. Conceitos como patrimonialismo e coronelismo, embora originados em séculos passados, manifestam-se hoje sob novas roupagens, especialmente em municípios de crescimento acelerado. Em Balneário Camboriú, o dinamismo econômico e a valorização imobiliária criam um terreno fértil onde essas práticas podem se esconder sob o manto da "eficiência", exigindo uma postura vigilante de partidos que buscam a renovação, como o Republicanos.
1. As Faces do Patrimonialismo Contemporâneo
O patrimonialismo, conforme definido clássicamente por Raymundo Faoro, é a incapacidade do gestor de distinguir a "coisa pública" (res publica) de seus interesses particulares. No contexto urbano de Santa Catarina, isso não se traduz mais apenas em desvios diretos, mas em uma cultura de privilégios.
Nas prefeituras modernas, o patrimonialismo se manifesta na ocupação de cargos estratégicos por critérios de lealdade pessoal em detrimento da competência técnica. Quando a máquina pública é utilizada para favorecer grupos econômicos específicos ou para sustentar redes de apoio político, o interesse do cidadão comum é preterido em favor da "vontade do príncipe".
2. O Coronelismo Urbano e o Clientelismo
Se no passado o "coronel" era o dono das terras, hoje ele é o detentor da influência política que "abre portas". O coronelismo se transfigurou no clientelismo.
Em cidades como Balneário Camboriú, essa prática ocorre na ponta: na troca de um serviço público essencial (uma vaga em creche, um exame médico ou uma pavimentação) pela fidelidade eleitoral. O político deixa de ser um servidor para se tornar um "provedor de milagres". Essa dependência enfraquece a democracia, pois o voto deixa de ser uma escolha de projeto e passa a ser uma quitação de dívida de gratidão.
3. O Papel do Republicanos: Estratégias para o Combate
Para que o Republicanos se consolide como uma alternativa de governança moderna em Balneário Camboriú, a atuação deve ser pautada pela despessoalização do poder. O combate a essas práticas passa por três eixos fundamentais:
I. Blindagem Técnica da Gestão
A indicação para secretarias e cargos de diretoria deve seguir o modelo de compliance do setor privado (critérios técnicos mínimos para cargos de diretoria e gerência, impedindo que a Prefeitura seja usada como "cabide de emprego" para cabos eleitorais). Ao exigir currículos compatíveis com as pastas, o partido elimina a "moeda de troca" patrimonialista e entrega resultados reais à população.
II. Transparência Disruptiva e Tecnologia
O uso de tecnologias de blockchain e auditorias em tempo real nos processos de licenciamento de obras — motor econômico de BC — garante que as regras sejam as mesmas para o pequeno construtor e para o grande investidor. A impessoalidade digital é o maior inimigo do "jeitinho" patrimonialista.
III. Fortalecimento da Autonomia do Cidadão
O combate ao coronelismo urbano se faz com a profissionalização dos serviços básicos. Quando o sistema de saúde funciona com filas transparentes e auditáveis, o político perde o poder de "furar a fila" para um aliado, devolvendo a dignidade ao contribuinte.
Conclusão
Balneário Camboriú é uma vitrine para o Brasil. Superar as amarras do patrimonialismo e do coronelismo não é apenas um dever ético, mas uma necessidade econômica. Uma gestão técnica, transparente e pautada em princípios republicanos permite que a cidade cresça de forma sustentável, onde o sucesso dependa do mérito e da lei, e não da proximidade com o poder de turno. O compromisso com a coisa pública é o único caminho para uma prosperidade que alcance a todos os moradores, da orla à periferia.
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