Para compreender como Leonel Brizola, o último dos líderes carismáticos do trabalhismo brasileiro, articularia a desmilitarização de uma força como o Hezbollah, é preciso afastar as lentes liberais tradicionais e adotar a ótica da Soberania Nacional. Brizola não veria o problema como uma questão de "segurança internacional" abstrata, mas como um desafio de afirmação do Estado frente às pressões externas e às lacunas internas de poder.
Se Brizola estivesse à frente deste processo, sua execução seguiria uma lógica de três tempos: a institucionalização, a reciprocidade soberana e a ocupação social.
1. A Absorção Institucional: "Da Milícia ao Exército Nacional"
Brizola era, acima de tudo, um homem de Estado. Ele não aceitaria a existência de um exército paralelo ad aeternum, mas também não aceitaria o desarmamento como um ato de rendição ao "estrangeiro". Sua execução passaria pela nacionalização da resistência.
Ele proporia a integração dos quadros técnicos e combatentes do Hezbollah às Forças Armadas Libanesas (LAF). Para Brizola, o arsenal que hoje pertence a um grupo deveria ser transferido ao patrimônio do Estado. Ele diria que "as armas do povo devem servir à bandeira da Nação", transformando a milícia em uma força de reserva ou em uma brigada especializada de fronteira, sob comando centralizado e controle civil.
2. A Diplomacia da Reciprocidade: "Nem um Passo Atrás Sem Garantias"
A execução brizolista seria implacável na exigência de contrapartidas. Ele jamais aceitaria um recuo unilateral para além do Rio Litani sem que houvesse uma retirada equivalente de ameaças externas.
Soberania Verificável: Brizola exigiria que a ONU e as potências globais garantissem a integridade territorial do Líbano de forma absoluta.
Denúncia do "Império": Em seus famosos "tijolaços" ou programas de rádio, ele denunciaria o que chamava de "dois pesos e duas medidas", questionando por que se exige o desarmamento de uma nação enquanto o vizinho se mantém hiper-armado com subsídios externos. A desmilitarização seria executada como um acordo de paz de alto nível, e não como uma imposição colonial.
A Ocupação Social: "Onde Falta o Estado, Sobra a Milícia"
Fiel à sua experiência com os CIEPs e a urbanização de favelas, Brizola entenderia que o Hezbollah só detém o controle do território porque provê o que o Estado negou. Sua execução estratégica incluiria um "Plano de Metas" para o Sul do Líbano.
Ele substituiria a infraestrutura social do grupo por uma rede massiva de escolas públicas em tempo integral, hospitais e saneamento. "Para cada fuzil recolhido, abriremos uma escola", seria seu lema. A desmilitarização, para ele, seria um processo de convencimento social: o povo deve sentir que o Estado Libanês é um protetor e provedor mais eficaz e legítimo do que qualquer organização paraestatal.
4. A Transição Política e o Voto Popular
Brizola respeitava a vontade das urnas. Ele executaria a transição garantindo que o braço político do movimento pudesse atuar plenamente na democracia libanesa, livre de vetos externos. Ele acreditava que o conflito de ideias deve substituir o conflito de baionetas, desde que a arena política seja justa e não manipulada por interesses das "perdas internacionais de energia".
Conclusão: A Paz pela Dignidade
Em última análise, a execução brizolista da desmilitarização não seria um desmonte, mas uma refundação. Ele buscaria transformar uma força de resistência regional em um pilar de um Estado Libanês forte, educado e soberano. Para Brizola, a paz no Oriente Médio não viria de decretos assinados em hotéis de luxo na Europa, mas do fortalecimento das instituições nacionais e da dignidade do seu povo.
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