No último domingo, 17 de maio de 2026, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e a primeira-dama, Olena Zelenska, prestaram homenagem às vítimas das repressões políticas em massa no Memorial Histórico Nacional "Túmulos de Bykivnia". A solenidade marcou o Dia de Memória das Vítimas da Repressão Política no país. O casal presidencial também depositou flores no monumento que homenageia os cidadãos poloneses sepultados no local.
Em mensagem conjunta divulgada nas redes sociais, as lideranças ucranianas conectaram o terror de Estado do século XX com os crimes cometidos atualmente pela Federação Russa na Ucrânia, apelando pela libertação imediata de militares e civis em cativeiro.
"Agora, quando milhares de pessoas nossas – prisioneiros de guerra e civis detidos – continuam no cativeiro russo e passam pelas mesmas provações, é importante não esquecer isto. É necessário envidar os esforços necessários a todos os níveis para trazer de volta cada um e cada uma de nós. E, acima de tudo, devemos garantir que a justiça seja feita e que os criminosos respondam por suas ações. O mundo livre tem força suficiente para garantir isso", destacaram o Presidente e a Primeira-Dama.
O Peso Histórico de Bykivnia
Localizada na floresta de Bykivnia, a área é o maior local de sepultamento de vítimas da repressão política em massa na Ucrânia. Entre 1937 e 1941, os corpos de cidadãos fuzilados pela polícia secreta soviética (NKVD) nas prisões de Kiev eram transportados e enterrados ali secretamente.
Historiadores estimam que entre 30.000 e 35.000 pessoas estejam enterradas no local. Somente durante o período conhecido como "Grande Terror" (1937–1938), quase 200.000 ucranianos foram condenados pelo regime de Joseph Stalin, sendo que cerca de dois terços deles receberam a pena de morte. Entre os sepultados em Bykivnia estão figuras proeminentes da cultura e da sociedade ucraniana, como os escritores Mykhail Semenko e Maik Yohansen, o artista Mykhailo Boichuk e o líder religioso Vasyl Lypkivsky.
Além de ucranianos, o memorial abriga restos mortais de mais de 3.500 estrangeiros de 30 nacionalidades — a maioria cidadãos da Polônia e da Alemanha.
Do Segredo de Estado ao Reconhecimento Internacional
Os primeiros indícios da tragédia de Bykivnia surgiram em setembro de 1941, após a ocupação nazista em Kiev. Contudo, com a retomada do controle soviético, os arquivos foram classificados como "Segredo Máximo" pelas agências de segurança da URSS.
Na década de 1960, ativistas do Clube da Juventude Criativa de Kiev — incluindo Les Taniuk, Alla Horska e Vasyl Symonenko (estes dois últimos assassinados pelo regime) — começaram a coletar materiais clandestinamente sobre as execuções. O Estado soviético só reconheceu oficialmente a existência das valas comuns de vítimas do stalinismo na floresta de Bykivnia em 1988, nos anos finais da União Soviética.
O espaço foi convertido em Memorial Histórico Nacional em maio de 2001 por resolução do Gabinete de Ministros da Ucrânia. No mesmo ano, o local recebeu a visita histórica do Papa João Paulo II.
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