Crise no Líbano: Presidente Joseph Aoun promete "fazer o impossível" por cessar-fogo enquanto trégua é violada em campo
Segundo informações do jornal L’Orient-Le Jour, impasse entre Israel e Hezbollah desafia esforços de Washington e divide opinião pública libanesa.
Em matéria publicada pelo periódico independente L’Orient-Le Jour (L'OLJ), o presidente libanês, Joseph Aoun, declarou que fará "o impossível" para encerrar a ofensiva israelense no país. O pronunciamento ocorre após a prorrogação por 45 dias de uma trégua negociada diretamente com Israel em Washington. Contudo, o veículo reporta que o cessar-fogo — assinado inicialmente em 16 de abril de 2026 após 45 dias de guerra — permanece apenas no plano teórico, com registros de bombardeios diários mútuos na Linha Azul e a manutenção de uma "zona tampão" ocupada pelo exército israelense no sul do Líbano.
Conforme divulgado pelo L’Orient-Le Jour, as condições estabelecidas pelo governo do Líbano para o avanço das negociações bilaterais incluem:
A retirada das forças israelenses do território libanês;
A efetivação do cessar-fogo;
O desdobramento do exército nacional ao longo da fronteira;
O retorno seguro das pessoas deslocadas pelas hostilidades;
Auxílio econômico e financeiro internacional para o país.
"É meu dever, dada a minha função e responsabilidade, fazer o impossível — e seguir o caminho menos custoso — para parar a guerra que afeta o Líbano e a sua população", afirmou o presidente Aoun em audiência com sindicatos agrícolas, segundo o L'OLJ.
Articulação Institucional e Denúncia Internacional
A reportagem do L’Orient-Le Jour destaca que o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, confirmou o andamento de tratativas sobre as "disposições práticas para o cessar-fogo", enfrentando um contexto regional adverso. Diante do descumprimento do acordo nas regiões do Líbano-Sul e no Vale do Bekaa, o ministro da Informação, Paul Morcos, anunciou que o Líbano solicitou ao Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos o envio de uma missão de apuração dos fatos a Beirute, visando encaminhar as denúncias ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra.
De acordo com o cronograma obtido pelo jornal, os debates sobre a segurança fronteiriça estão agendados para o dia 29 de maio, enquanto as negociações de teor político devem ocorrer nos dias 2 e 3 de junho.
Polarização e Vozes da População Libanesa
O L’Orient-Le Jour também expõe a forte fragmentação interna quanto aos rumos do conflito. De um lado, lideranças vinculadas ao Hezbollah, como o deputado Hussein Hajj Hassan, criticam abertamente a mediação dos Estados Unidos e o início do processo de segurança antes que os bombardeios cessem na prática.
Por outro lado, o espaço de debate público monitorado pelo jornal reflete o cansaço e a indignação de cidadãos libaneses com a crise humanitária e econômica. Leitores e analistas locais ouvidos pelo periódico dividem-se entre cobranças firmes pelo desarmamento de milícias armadas para a garantia da soberania nacional e duras críticas às ações militares de Israel, que resultaram na destruição de infraestruturas básicas, escolas e no deslocamento forçado de um quarto da população do país.
Fonte das informações: Reportagem publicada originalmente pelo jornal L’Orient-Le Jour em 18 de maio de 2026.
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