Diferente de um imposto fixo mensal, ela era uma cobrança extraordinária e compulsória para garantir que a meta de arrecadação de ouro fosse atingida.
1. O Contexto: O Quinto e a Meta das 100 Arrobas
Para entender a Derrama, é preciso entender o Quinto. A Coroa exigia 20% (um quinto) de todo o ouro extraído. Com o tempo, para evitar o contrabando e garantir a receita, Portugal estabeleceu uma meta fixa: a região das minas deveria entregar, anualmente, no mínimo 100 arrobas de ouro (cerca de 1.500 kg).
2. Como a Derrama funcionava
Quando a soma do "Quinto" arrecadado não chegava às 100 arrobas anuais — o que se tornou frequente a partir de 1750 com o esgotamento das minas —, a Coroa decretava a Derrama.
Rateio do Prejuízo: O valor que faltava para completar as 100 arrobas era dividido entre toda a população da região mineira (mineradores, comerciantes, artesãos e funcionários).
Cobrança Violenta: Soldados entravam nas casas para confiscar bens pessoais, joias, escravizados e propriedades até que o valor devido fosse quitado.
3. Impacto Político: A Inconfidência Mineira
A Derrama foi o principal combustível para a Inconfidência Mineira (1789). A elite de Vila Rica (atual Ouro Preto), endividada e temendo uma nova execução da Derrama que estava prevista para aquele ano, organizou o movimento separatista.
Os conspiradores planejavam iniciar a revolta justamente no dia em que a cobrança fosse anunciada, aproveitando o clima de indignação popular.
Resumo Técnico
O Quinto: Imposto regular de 20% sobre a extração de ouro.
Cotas Fixas: Exigência mínima de 100 arrobas de ouro por ano.
A Derrama: Cobrança forçada do saldo devedor quando a cota não era atingida.
Consequência: Empobrecimento da elite mineira e fomento a ideais de independência.
Hoje, o termo "derrama" ainda é utilizado em Portugal para designar um imposto municipal sobre o lucro das empresas, mas sem o caráter violento e confiscatório do período colonial.
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