segunda-feira, 6 de abril de 2026

O Líbano não pode esperar: Um Manifesto pela Paz e pela Ancestralidade

O Líbano não pode esperar: Um Manifesto pela Paz e pela Ancestralidade

O sistema internacional assiste, com uma paralisia inquietante, ao desmoronamento de uma das nações mais resilientes do Mediterrâneo. O Líbano, país-fênix, enfrenta hoje a ameaça de uma incursão militar estrangeira que afeta o equilíbrio de todo o Oriente Médio. Diante desse abismo, surge uma oportunidade histórica para o Brasil exercer sua maior força: a diplomacia do afeto e da autoridade moral.

É urgente que os presidentes e ex-presidentes do Brasil — 
Lula, Jair Bolsonaro, Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff, Michel Temer e José Sarney — unam suas vozes em um manifesto conjunto pelo cessar-fogo imediato e pelo apoio à mesa diplomática proposta em Paris.

A Diplomacia além da Ideologia

A polarização política brasileira é um fato, mas a nossa conexão com o Líbano é um destino. Com uma diáspora de cerca de 10 milhões de descendentes em solo brasileiro, o Brasil possui mais "filhos do cedro" do que o próprio território libanês. Essa realidade nos confere um assento de direito — e um dever de dever — na resolução deste conflito.

Um manifesto assinado por líderes de espectros tão opostos não seria apenas um pedaço de papel; seria um fato político global.
 
Para Israel, o aval de nomes como Bolsonaro e Temer sinalizaria que mesmo os seus interlocutores mais próximos no Brasil não aceitam a destruição do Estado libanês como método de segurança.

Para o Líbano e o Mundo Árabe, as assinaturas de Lula e Dilma reforçariam o compromisso do Sul Global com a soberania nacional e o multilateralismo.

Para a França, o apoio de estadistas como FHC e Sarney daria à mesa de negociações em Paris a densidade institucional necessária para que as resoluções da ONU saiam do papel.

O Pragmatismo da Paz

Não se trata de ignorar as complexidades de segurança ou o papel de milícias e potências regionais. Trata-se de entender que a "Mesa de Paris", proposta pelo presidente Emmanuel Macron, é o único mecanismo técnico capaz de planejar o "dia seguinte".

Um governo técnico no Líbano, o fortalecimento das Forças Armadas Libanesas (FAL) como única autoridade armada e a proteção da população civil não são pautas de esquerda ou direita — são imperativos de sobrevivência.

Um Legado para a História

O Brasil tem a chance de provar que a sua política externa pode ser um vetor de pacificação mundial. Ver nossos presidentes deixando de lado as divergências domésticas para salvar a terra de seus antepassados (ou de milhões de seus concidadãos) seria o maior exercício de Soft Power da nossa história recente.

O Líbano deu ao Brasil médicos, engenheiros, artistas e governantes. É hora de o Brasil devolver ao Líbano a esperança de uma soberania restaurada. Presidentes, assinem um manifesto em conjunto pelo cessar-fogo. A história, e o povo libanês-brasileiro, não esquecerão este gesto.

"A paz não é a ausência de conflito, mas a presença de justiça e diálogo."  Que este manifesto seja um importante passo para que o cedro volte a florescer em paz.

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