Hezbollah sinaliza "pragmatismo forçado" e condições para trégua no Líbano
Em uma rara admissão da gravidade da situação em solo libanês, o vice-presidente do conselho político do Hezbollah, Mahmoud Qomati, apresentou uma postura de cautela estratégica durante entrevista à Al Jadeed TV nesta quarta-feira (15 de abril de 2026). As declarações de Qomati marcam um distanciamento do otimismo bélico anterior, sinalizando que o grupo está aberto a uma saída diplomática, embora sob condições rigorosas.
O Fim da Era de 2024
O ponto central da fala de Qomati foi a rejeição definitiva a qualquer acordo que replique os termos de novembro de 2024. Segundo o líder, aquele modelo fracassou por permitir que Israel mantivesse "ataques cirúrgicos" enquanto o Hezbollah cumpria a suspensão de hostilidades.
"Não aceitaremos um retorno aos arranjos frágeis de 2024. Qualquer novo entendimento deve ser baseado na reciprocidade total e absoluta", afirmou Qomati, exigindo que o fim dos lançamentos de foguetes coincida exatamente com o fim das incursões aéreas e terrestres israelenses.
Realismo e Gestão de Crise
Demonstrando um pragmatismo que analistas atribuem ao desgaste sofrido após a "Operação Escuridão Eterna", Qomati declarou que "qualquer esforço para alcançar um cessar-fogo é apreciado". O tom menos agressivo foi acompanhado de um alerta humanitário: ele aconselhou explicitamente que os milhares de deslocados do sul do Líbano não retornem às suas casas ainda, citando a instabilidade e o risco de "traição" nas fronteiras.
Desafio à Diplomacia de Washington
Enquanto o governo do presidente Joseph Aoun busca um acordo em Washington, Qomati reforçou que o Hezbollah monitora as propostas, mas não se sente vinculado a termos que incluam o desarmamento. O grupo sustenta que sua infraestrutura militar ao sul do Rio Litani é a única garantia de que Israel não estabelecerá uma "zona de amortecimento" permanente em território libanês.
Perspectivas para a Trégua
A entrevista de Qomati é vista como uma tentativa de dialogar com a base civil libanesa, exausta pelo conflito, ao mesmo tempo em que envia um recado aos mediadores internacionais: o Hezbollah está disposto a parar, mas não a se render. A insistência em "garantias mútuas e simultâneas" coloca um desafio adicional às negociações lideradas pelos EUA, que buscam o desarmamento do grupo como pré-requisito para a paz
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