A administração de Donald Trump formalizou sua posição de que o destino final do estoque de urânio enriquecido do Irã deve ser decidido estritamente através de um tratado bilateral entre Washington e Teerã ou sob a égide técnica da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A decisão afasta a proposta de custódia russa, que previa a transferência total do material para o território de Vladimir Putin.
Foco em Soberania e Desmantelamento
A contraproposta americana baseia-se na premissa de que a solução para a crise nuclear não pode depender de intermediários que possuam interesses geopolíticos conflitantes. Ao exigir um tratado bilateral ou a via da AIEA, os EUA buscam:
Controle e Verificação Direta: Garantir que o processo de neutralização do urânio de 60% (nível quase militar) seja verificado em conjunto por inspetores internacionais ou americanos, sem a opacidade que Washington alega existir em mediação exclusiva de Moscou.
Desmantelamento de Longo Prazo: Washington insiste em um compromisso de 20 anos para a interrupção do enriquecimento, algo que o Pentágono considera essencial para garantir que o Irã não retome sua capacidade nuclear em curto prazo.
Rejeição à "Cartada" do Kremlin
A rejeição da custódia russa reflete a desconfiança estratégica de que Moscou utilizaria o urânio iraniano como moeda de troca em outras frentes, especialmente na guerra da Ucrânia. Para a Casa Branca, permitir que Putin atue como o único "fiel depositário" do arsenal latente de Teerã daria ao Kremlin uma alavancagem excessiva sobre a segurança energética e militar global.
O Papel da AIEA e de Novos Mediadores
Com a retirada da opção russa da mesa de negociações em Islamabad, ganha força a sugestão da AIEA de realizar a "diluição doméstica" (down-blending) do urânio em solo iraniano sob monitoramento em tempo real (24/7). Paralelamente, países como o Cazaquistão (via seu Banco de Urânio) e Omã surgem como facilitadores técnicos e logísticos que contam com maior aceitação por parte da delegação americana liderada pelo vice-presidente JD Vance.
Prazo Crítico
A definição de um novo mecanismo de custódia ou neutralização é urgente, visto que o cessar-fogo temporário no Oriente Médio expira em 22 de abril. Os EUA sinalizam que, sem a aceitação de um tratado bilateral ou da supervisão irrestrita da AIEA, a política de "pressão máxima" e o bloqueio naval serão intensificados após o vencimento do prazo.
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