Os historiadores que se debruçaram sobre o tema, como José Boiteux (patrono do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina) e pesquisadores regionais contemporâneos, destacam os seguintes pontos:
1. O Despacho de 1826: O "Marco Legal"
A pesquisa nos Arquivos Públicos revela que o que a tradição oral chama de "primeiro despacho" é, na verdade, uma Carta de Sesmaria de confirmação.
O Achado: Historiadores localizaram o registro oficial datado de 26 de setembro de 1826.
A Interpretação: O documento não cria um novo direito, mas ratifica uma ocupação que já ocorria desde 1810. O "atraso" de 16 anos entre o pedido original e o despacho imperial é usado pelos historiadores para explicar como Baltazar se tornou uma figura de transição entre o período joanino e o pedrino.
2. A Fundação da Freguesia do Bom Sucesso
As pesquisas indicam que o despacho foi o gatilho para a organização civil da região.
O Núcleo Inicial: Os historiadores confirmam que Baltazar estabeleceu sua sede na região hoje conhecida como Bairro da Barra.
A Igreja como Prova: A construção da Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso (concluída por volta de 1863, mas iniciada décadas antes) é utilizada como evidência material da consolidação das terras concedidas pelo despacho imperial.
3. Desmistificação da "Exclusividade"
A análise comparativa feita por historiadores modernos mostra que:
Concessões Simultâneas: Na mesma época, diversas outras sesmarias estavam sendo confirmadas no litoral catarinense (como em Porto Belo e São Francisco do Sul).
O "Peso" de D. Pedro I: A pesquisa sugere que o nome de D. Pedro I foi enfatizado em registros posteriores para conferir uma aura de "nobreza" e legitimidade oficial à colonização de Camboriú, diferenciando-a de assentamentos meramente espontâneos.
4. O Papel de José Boiteux
Grande parte do que se sabe hoje sobre Baltazar vem das notas de Boiteux, que mapeou as famílias pioneiras de Santa Catarina. Ele descreve Baltazar não apenas como um fazendeiro, mas como um oficial de milícias, o que explicaria por que ele teve acesso direto (embora lento) à burocracia imperial para conseguir o despacho.
Fontes principais utilizadas nessas pesquisas:
Arquivo Público do Estado de Santa Catarina (APESC): Onde constam os registros de Sesmarias.
Livros de Tombo da Paróquia: Que registram os batismos e casamentos das famílias instaladas após o despacho.
Relatórios da Presidência da Província de Santa Catarina: Documentos do século XIX que citam a produção agrícola das terras de Pinto Corrêa.
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