Para que um acordo entre Israel e o Líbano seja sustentável, ele precisa equilibrar a necessidade de segurança de Israel com a soberania e integridade territorial do Líbano. O grande desafio é que, enquanto o Estado libanês é o interlocutor oficial, o Hezbollah é o ator armado de fato.
Um acordo ideal teria que se basear em quatro pilares principais:
1. Desmilitarização do Sul do Líbano
Este é o ponto mais crítico para Israel e a base da Resolução 1701 da ONU (que nunca foi plenamente aplicada).
Zona Livre de Milícias: O Hezbollah teria que retirar todos os seus combatentes e armamentos pesados para o norte do Rio Litani.
Monopólio da Força: Apenas o Exército Libanês (LAF) e as forças de paz da ONU (UNIFIL) poderiam portar armas ao sul desse rio. Isso devolveria ao Estado libanês o controle sobre seu próprio território.
2. Definição Final de Fronteiras (Terrestre e Marítima)
A "Linha Azul": Transformar a atual linha de cessar-fogo (Linha Azul) em uma fronteira internacional reconhecida, resolvendo as disputas sobre os 13 pontos contestados e as Fazendas de Shebaa.
Zonas de Exclusão: Criação de protocolos claros para evitar que civis ou militares se aproximem da cerca, reduzindo o risco de incidentes que escalam para guerras.
3. Cooperação Econômica e de Recursos
Energia no Mediterrâneo: Garantias mútuas de não agressão contra as plataformas de gás natural. O sucesso do Líbano em extrair gás poderia estabilizar sua economia colapsada, o que interessa a Israel (um vizinho próspero é menos propenso ao radicalismo).
Gestão de Água: Acordos técnicos sobre o uso de águas transfronteiriças, garantindo que o fluxo de rios não seja desviado de forma a prejudicar a agricultura de nenhum dos lados.
4. Fortalecimento das Instituições Libanesas
Fim da Interferência Externa: Um compromisso de que o Líbano não servirá como plataforma para o Irã, e que Israel não violará o espaço aéreo libanês (o que Israel faz hoje alegando vigilância contra o Hezbollah).
Garantias Internacionais: Um "guarda-chuva" de financiamento liderado pelos EUA, França e países árabes (como a Arábia Saudita) para reconstruir o sul do Líbano em troca da neutralidade militar da região.
O Grande Obstáculo: O "Estado dentro do Estado"
O maior entrave é que o governo do Líbano muitas vezes não tem poder político ou militar para desarmar o Hezbollah. Para Israel, qualquer acordo que não resulte no desmantelamento da infraestrutura de mísseis na fronteira é visto apenas como uma "pausa para rearmamento".
Resumo: O interesse comum é a estabilidade. Israel quer paz no norte para focar em sua economia; o Líbano precisa de paz para não colapsar totalmente como Estado.
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