Ucrânia Consolida Avanços em Zaporizhzhia enquanto Rejeita "Pirataria Energética" da Rosatom
O cenário militar e diplomático no sul da Ucrânia atingiu um ponto de inflexão neste 15 de março de 2026. Enquanto as forças ucranianas celebram a retomada de territórios estratégicos, uma nova frente de batalha se abre: a disputa pelo controle operacional e pela produção de energia da maior usina nuclear da Europa.
1. Sucesso Territorial: A Inversão da Iniciativa
Após um trimestre de operações intensas, a Ucrânia consolidou a recuperação de aproximadamente 460 km² de território nas frentes de Zaporizhzhia e na junção com Dnipropetrovsk.
Marco de Fevereiro: Pela primeira vez desde 2024, o ritmo de libertação ucraniana superou o avanço russo. Foram retomados cerca de 300 km² apenas no mês passado, removendo a ameaça imediata de cerco às cidades de Zaporizhzhia e Hulyaipole.
Resistência sob Fogo: A Rússia responde à perda de terreno com o uso massivo de Bombas Aéreas Guiadas (KAB), focando em destruir a logística ucraniana a 20 km da frente para impedir a fortificação dos novos limites territoriais.
2. O Impasse da ZNPP: A Proposta da Rosatom
Em uma manobra diplomática agressiva, a estatal russa Rosatom sinalizou a intenção de tirar o Reator nº 4 do estado de "parada fria".
A "Oferta" de Moscou: A Rússia propôs um modelo de gestão tripartite (Ucrânia, Rússia e Consórcio Internacional) para reativar a usina e vender energia para a rede ucraniana.
Modelo 50/50: A proposta sugere que metade da carga sustente as áreas sob administração russa e a outra metade seja integrada ao sistema ucraniano, financiada por um Fundo de Truste internacional de US$ 15 bilhões.
3. Reação de Kyiv: "Soberania não está à venda"
O presidente Volodymyr Zelensky reagiu duramente à sinalização russa, classificando-a como "pirataria energética".
Rejeição Total: Kyiv rejeita qualquer pagamento à Rosatom por energia gerada em solo ucraniano ocupado. Zelensky reafirmou que a segurança nuclear e a reativação técnica só são possíveis com a desocupação total da planta e o retorno do controle à Energoatom.
Risco Técnico: A Ucrânia e a AIEA alertam que qualquer tentativa de reativação sob bombardeios de KAB na periferia da usina é um ato de irresponsabilidade global.
4. O Fundo de Truste e o Futuro
Embora existam planos para transformar a ZNPP em um motor de reconstrução através de investimentos liderados pelos EUA, a Missão de Transição permanece no papel. A ausência de um cessar-fogo efetivo e a recusa ucraniana em validar a autoridade russa sobre a infraestrutura nuclear mantêm a usina como um refém tático em vez de um ativo produtivo.
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