domingo, 15 de março de 2026

Rosatom Afirma Capacidade Técnica para Fornecer Energia à Ucrânia; Kyiv Denuncia "Chantagem Energética"

Rosatom Afirma Capacidade Técnica para Fornecer Energia à Ucrânia; Kyiv Denuncia "Chantagem Energética"

Em um desdobramento que mistura infraestrutura crítica e tática geopolítica, a estatal russa Rosatom declarou oficialmente possuir a capacidade técnica para restabelecer o fornecimento de eletricidade à rede ucraniana a partir da Usina Nuclear de Zaporizhzhia (ZNPP). A proposta ocorre em meio a um cenário de intensos combates e avanços territoriais ucranianos na região.

1. A Proposta da Rosatom e o "Fator Segurança"

O Diretor-Geral da Rosatom, Alexei Likhachev sinalizou após consultas em Moscou que a Rússia está pronta para discutir o fornecimento de parte dos 6 gigawatts de capacidade da usina para o território controlado pela Ucrânia.
 
Condicionalidade: O Kremlin vincula a reativação dos reatores (especialmente o Reator nº 4) à criação de "regimes de silêncio" (cessar-fogo local) e ao reconhecimento de uma gestão operacional russa sob supervisão internacional.

Diversificação de Carga: Além da rede elétrica, a Rosatom mencionou o uso da energia para sustentar grandes data centers na região, sugerindo parcerias que poderiam incluir até entidades dos EUA, em uma clara tentativa de suavizar a pressão das sanções.

2. Resposta de Kyiv: Rejeição e Soberania

O governo de Volodymyr Zelensky reagiu prontamente, classificando a oferta como um ato de "pirataria energética".

Propriedade Inegociável: Zelensky reiterou que a ZNPP é propriedade soberana da Ucrânia e que qualquer energia produzida ali já pertence ao povo ucraniano. Kyiv recusa-se a "comprar" eletricidade de sua própria infraestrutura ocupada.
 
Exigência de Desocupação: A Ucrânia mantém que a única via para a reativação segura é a retirada total das tropas russas e o retorno do controle operacional à Energoatom.

3. O Alerta da AIEA e o Contexto de Combate

O Diretor-Geral da AIEA, Rafael Grossi, embora tenha descrito as conversas com a Rosatom como "oportunas", mantém o alerta máximo:
 
Inviabilidade sob Fogo: Grossi enfatizou que "uma usina nuclear não pode operar sob a ameaça de atos cinéticos". O uso sistemático de Bombas Aéreas Guiadas (KAB) russas a menos de 20 km da planta torna qualquer tentativa de reinício um risco radiológico global.
 
Realidade Territorial: A proposta da Rosatom surge enquanto a Ucrânia conduz uma contraofensiva bem-sucedida, tendo retomado cerca de 460 km² no setor de Zaporizhzhia neste trimestre, o que aumenta a pressão sobre as defesas russas ao redor da usina.

4. Impacto Estratégico

A manobra russa é vista por analistas como uma tentativa de transformar a ZNPP de um escudo militar em uma âncora política, buscando forçar a Ucrânia a um acordo técnico que valide a presença russa em troca de alívio no déficit energético do país.

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