Para Balneário Camboriú Refletir: O Mandato não é um Troféu, é um Vínculo
Neste 9 de março de 2026, Balneário Camboriú não assistiu apenas a uma troca de nomes na Câmara Municipal. A saída de Victor Forte (PL) e o retorno de Aristo Pereira (PT), selados pela Edição nº 31 do Diário da Justiça Eleitoral, representam o colapso de uma estética de poder que tentou desvincular o político de sua origem. É hora de a cidade refletir sobre o que espera de seus representantes.
1. A Armadilha da "Sociedade das Aparências"
Balneário Camboriú, com seus arranha-céus e brilho estético, muitas vezes seduz seus líderes a mimetizarem essa mesma casca. O gabinete de Victor Forte caiu no erro de acreditar que a política se faz apenas no "andar de cima". Ao priorizar uma assessoria falocêntrica e tecnocrata, focada em marketing e burocracia, o mandato tornou-se um objeto de vitrine: buscando vantagem para si próprio, bonito de ver nas redes sociais, mas frio ao toque no portão de casa.
A reflexão necessária: O político que se encastela em um gabinete de vidro esquece que, no chão da cidade, os problemas não têm filtro de rede social. Quando a estrutura jurídica ruiu devido à fraude de gênero da chapa, não havia "calçada" ou filtro para sustentar o mandato, pois o vínculo real com o território havia sido negligenciado.
2. O Preço do Silenciamento Feminino
A fraude à cota de gênero, detalhada no Processo Judicial Eletrônico (PJe), não foi apenas um "erro de contabilidade" do partido. Foi um ato de machismo institucional. Ao tratar mulheres como meros números para viabilizar um projeto de poder masculino e oligárquico, o grupo político feriu a alma da democracia.
A reflexão necessária: Uma cidade moderna como a nossa não pode mais aceitar que a representatividade feminina seja tratada como um estorvo burocrático. O "adeus" a Victor Forte é um aviso: o patriarcado político que tenta excluir as mulheres do processo real acaba, ironicamente, excluindo-se a si mesmo por força da lei.
3. A Resiliência da "Justiça de Calçada"
Enquanto o gabinete oficial se perdia em sua própria tecnocracia, a figura de Aristo Pereira permaneceu como um lembrete do que a política nunca deixou de ser: presença. Aristo não precisou de um gabinete ou assessoria falocêntrica com esta dedicação diária para ser lembrado; ele precisou apenas ser o "companheiro" que nunca deixou o bairro.
A reflexão necessária: A retotalização de votos é o sistema fazendo um "check-in" de realidade. O poder fluiu de volta para quem entende que o vereador é um servidor da calçada, e não um ocupante de trono. A constância de Aristo prova que, em Balneário Camboriú, o reconhecimento no olho no olho ainda é o tribunal mais soberano que existe.
O Que Fica Para o Amanhã?
A cidade deve emergir deste episódio com um olhar mais crítico:
Exija Pluralidade: Um gabinete que só tem homens e técnicos de terno não consegue enxergar as nuances de uma cidade diversa.
Cobre Presença: O voto é o início de um contrato de vizinhança. Se o parlamentar some da sua rua após a posse, ele já começou a perder o mandato.
Valorize a Ética Coletiva: O sucesso individual (os votos) não justifica a fraude coletiva (a chapa). No dia 9 de março, aprendemos que a "esperteza" de poucos anula a vontade de muitos.
Conclusão: Que o adeus à Victor Forte seja lido não como uma derrota partidária, mas como uma vitória da integridade e da presença. Balneário Camboriú merece representantes que entendam que a chave do gabinete deve ser usada, antes de tudo, para abrir as portas para o povo — e nunca para se esconder dele.
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