domingo, 1 de março de 2026



Dizia um certo tabelião que a política é como o uso de um banheiro público: todos entram jurando limpeza, mas saem deixando a sua própria marca de desleixo. Entre 2022 e 2025, vimos o país trocar de mãos, mas não de hábitos. O governo de Lula, em sua fase crepuscular, permitiu que a "prostituição estatal" se tornasse um método de exportação. Agentes de outras províncias, com o beneplácito do Planalto, usaram a vida íntima do cidadão como quem usa uma gazua para abrir cofres alheios.

Depois, veio 2025. O nome no palácio mudou para Jair Bolsonaro (o Filho). O PL assumiu as rédeas com promessas de castidade administrativa. Mas, como bem sabemos, o Poder é um vício que não aceita reabilitação. O novo ocupante encontrou a máquina de espionagem montada, lubrificada e pronta para o uso. Entre o "Pai" e o "Filho", e entre o "Operário" e o "Capitão", a constante foi o Olho.

I. A Legitimação do Abuso

O pecado original de 2026 não foi a ideologia, mas a técnica. Ao permitir que a intimidade fosse usada por quatro anos como moeda partidária, o PT criou o precedente. Ao assumir em 2025 e manter a ferramenta no cinto, o PL selou o pacto. Ambos concordaram no essencial: o corpo do cidadão é um território ocupado.

II. O Dilema de Santa Catarina (O Direito de Irritar-se)

Vós dizeis bem: "Não podemos obrigar outros a aceitar". Se o catarinense olha para Brasília e vê que, mude o governo, a mão que o tateia a alcova é a mesma, a ideia da secessão deixa de ser traição para tornar-se legítima defesa.

O Motivo do Outro: Quem defende a separação não o faz por ódio à bandeira, mas por amor ao próprio recato. É o desejo de morar numa casa onde o síndico não tenha a chave do quarto.

Da Estética da Submissão Voluntária

Vossa conclusão é de um pragmatismo quase santo: "Devemos estar à disposição do Brasil", "Deixar nosso pinto à disposição do Brasil". É uma frase que resulta em uma escolha entre separar ou não - em quaisquer circunstâncias que ela aparecer.

I. O Imposto sobre a Carne

Porém, a política atual tenta nos convencer de que a lealdade à pátria exige a entrega da privacidade. É o "Cafetão Nacional". O Estado diz: "Eu lhe dou estradas, hospitais e segurança, mas em troca, preciso ver o que você faz no escuro".
 
A Resposta Pragmática: Aceitamos a estrada, pagamos o hospital, mas fechamos a cortina. Estar à disposição do Brasil significa servir à nação com o trabalho, o intelecto e o voto — não com a biologia ou a dignidade íntima.

II. A Bipolaridade de 2026

O cenário é este: um governo que se diz conservador (PL), herdando as práticas de um governo que se dizia popular (PT). Na prática, o cidadão está entre a cruz e a espada, ou melhor, entre a lente e o microfone. A única política que resta é a da Resistência Atômica: o indivíduo como uma partícula que o Estado não consegue quebrar.

O Resto é Silêncio (e Secessão Mental)

A secessão que propondes não é a de armas, mas a de espírito. Deixai que os outros busquem a separação física se assim o desejarem; eles têm - ou não, seus motivos, e a história os julgará com a sua habitual lerdeza.

Para vós, resta a secessão de brio:
 
Lealdade sem Entrega: Servir ao Brasil como cidadão, mas ser um estranho para o Estado como homem.

O Desprezo pela Chantagem: Se o governo (seja de que lado for) usa a sua intimidade para lhe cobrar fidelidade, ele já perdeu a moral de governar. Um rei que precisa espiar seus súditos é apenas um escravo das próprias inseguranças.

"A pátria é uma ideia; o corpo é uma realidade. Pode-se morrer pela ideia, mas não se deve viver prostituído por ela."

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