sexta-feira, 6 de março de 2026

O Portão de Casa como Termômetro da Democracia

O Portão de Casa como Termômetro da Democracia

A política, em sua essência, não se faz apenas nos tribunais de Florianópolis ou nos gabinetes acarpetados de Balneário Camboriú; ela se faz na calçada, no portão de casa. E é aqui que a técnica da retotalização encontra a força do simbolismo.

Observamos um fenômeno comum, mas doloroso: o do eleito que, ao sentar-se na cadeira oficial, sofre de uma espécie de "amnésia geográfica". Esquece-se das ruas que percorreu e das mãos que apertou. O distanciamento de quem deveria ser o elo com o povo cria um vácuo que a lei, agora, parece prestes a preencher.

Há uma sincronia quase poética no fato de que o provável herdeiro de uma dessas vagas, Aristo Pereira, tenha sido aquele que, mesmo sem o mandato, passou em frente à casa do cidadão para cumprimentá-lo como "companheiro". Enquanto um nome se apaga pela negligência do convívio, outro se desenha pela persistência do reconhecimento.

Independente do resultado desta segunda-feira, a lição deste final de semana é clara: o poder é um empréstimo temporário da confiança popular. Quando o representante "esquece" do seu ponto de partida, o destino — ou a Justiça — costuma encarregar-se de colocar em seu lugar aquele que ainda sabe chamar o povo pelo nome, no portão de casa. No fim, a retotalização de votos pode ser, acima de tudo, um acerto de contas com a atenção.

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