terça-feira, 10 de março de 2026

O Poder entre a Liturgia e o Boato: A Realidade de Balneário Camboriú neste 10 de Março

O Poder entre a Liturgia e o Boato: A Realidade de Balneário Camboriú neste 10 de Março

Há momentos em que a política deixa de ser uma disputa de projetos para se tornar um campo de batalha de narrativas. Nas últimas 24 horas, Balneário Camboriú viveu um desses episódios: um turbilhão de informações imprecisas sugerindo que a "cadeira" havia mudado de dono antes mesmo do veredito final. É hora de restabelecer a realidade.

1. O Fato Institucional: Pleno Exercício e Estabilidade

Diferente do que propagaram correntes digitais e interpretações apressadas, o vereador Victor Forte e a bancada do PL permanecem em pleno e legítimo exercício de seus mandatos. A pauta da 10ª Sessão Ordinária deste dia 10 de março, publicada oficialmente pelo Departamento de Comunicação da Câmara, é a prova material dessa normalidade.

Nela, vemos o Legislativo operando em sua plenitude: projetos de saúde mental nas escolas, revitalização urbana e causas sociais sendo discutidos por quem detém a caneta e o voto. Não há, nos registros oficiais, qualquer ordem de retotalização imediata. O que existe é um processo judicial em curso, onde a defesa da chapa apresenta argumentos consistentes e técnicos sobre a especificidade de cada candidatura feminina, mantendo a estabilidade do quórum parlamentar.

2. A Edição nº 31 e a Troca de Comando no TRE-SC

O "gatilho" para o boato foi a Edição nº 31 do Diário da Justiça Eleitoral. Contudo, uma leitura técnica revela que este documento não trata de cassações em Balneário Camboriú. Ele registra um rito de passagem institucional: a posse da nova presidência do TRE-SC, ocorrida ontem (09/03), em Florianópolis.

A troca de comando para o biênio 2026-2027 é um ato administrativo de rotina da Justiça Eleitoral catarinense. Confundir a posse de um novo desembargador com a execução de uma sentença ainda passível de recursos é um erro que alimenta a ansiedade pública, mas não altera o Diário Oficial do município.

3. A Sincronicidade: Uma Reflexão Ética

Se juridicamente nada mudou, psicologicamente o impacto foi real. 

Ao acessar a informação falsa de que a retotalização havia ocorrido, vivi um breve "ensaio do desapego". Naquele instante de suspensão da realidade, minha mente resgatou um episódio da campanha de 2024: o dia em que Aristo Pereira passou no meu portão, em um caminhão, e o aceno de "companheiro".

Aquele encontro, ocorrido durante o fervor eleitoral, ressurge hoje não como uma notícia, mas como uma sincronicidade pedagógica. Aristo, o suplente que a matemática agora aponta como herdeiro da vaga, e Victor, o vereador que hoje ocupa o gabinete sob a sombra do julgamento, são os dois polos de uma mesma lição sobre a efemeridade. O poder é um empréstimo do tempo. O fato de Victor seguir pautando a cidade hoje, com projetos de relevância, mostra que a "ética do enquanto" é a única que sobrevive aos boatos.

Aristo, caminhando pela cidade com a postura de quem reconhece o seu tempo, e Victor, ocupando o plenário com a resiliência de quem defende seu mandato (e a possibilidade dos números), são as duas faces da mesma moeda democrática. 

Esse "ensaio do fim" causado pela notícia falsa nos lembra que a legitimidade não se resume ao cargo; ela se constrói na qualidade da presença. O poder é um empréstimo, e o "karma" da política é justamente a consciência de que, enquanto a decisão judicial não vem, o que define um representante é o trabalho que ele entrega no "agora".

Conclusão: A Verdade como Âncora

Restabelecer a realidade é reconhecer que, neste 10 de março, as luzes da Câmara de Balneário Camboriú se acendem para uma sessão de trabalho, não de despedida. Victor Forte e seus pares seguem pautando a cidade. Aristo Pereira segue sendo a voz da suplência atenta.

A justiça seguirá seu rito no tempo dos tribunais, mas a cidade não pode parar no tempo dos boatos. No fim, quando a poeira das redes sociais baixa, o que sobra é a clareza de que o mandato pertence ao povo — e quem o exerce hoje o faz com o respaldo da lei e o dever da transparência.

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